- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
Cidades

Dinheiro é maior causa de briga entre casais

Casais modernos dividem as contas, economizam para comprar um apartamento maior, viajar e estipulam prioridades na hora de investir, certo? Nem ...

Última atualização

Vera Rita de Mello publica vídeos com suas pesquisas e reflexões (Foto: Acervo pessoal)Casais modernos dividem as contas, economizam para comprar um apartamento maior, viajar e estipulam prioridades na hora de investir, certo? Nem sempre.

Muita gente não lida bem com as questões financeiras e o dinheiro, principalmente a falta dele, pode criar abismos tão grandes entre o casal que, se não houver um bom diálogo e maturidade, a relação fracassa.

Vera Rita de Mello Ferreira, doutora pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e mestre pela Universidade de São Paulo (USP) em Psicologia Social, diz que a convivência conjugal não é simples e o dinheiro ainda é um tabu nos relacionamentos. Na opinião dela, está cada vez mais difícil conciliar dinheiro e casamento.

“As pessoas ficam levemente paranoica quando o assunto é dinheiro e acabam não tratando disso. Não acho que seja obrigatório abrir toda a vida financeira para o cônjuge, mas é preciso ficar à vontade com o assunto e discutir os projetos da família, as dificuldades e comemorar os ganhos”, frisou.

Segundo Vera Rita, os homens, principalmente, não gostam de conversar, nem da famosa “DR” (discussão de relacionamento), muito menos se o assunto em pauta é dinheiro. E essa falta de diálogo é o combustível das brigas de casais.

“Eles se casam sem conhecer a vida financeira do parceiro, às cegas no que diz respeito a isso. Então é fácil dar encrenca”, lembrou.

Mas a especialista garante, que com alguns truques, é possível fazer a relação dar certo.

“Quando existe um projeto em comum e os dois se sentem melhor ao lado um do outro do que sozinhos, a relação tem tudo para dar certo”, frisou.

A Tribuna – Quando o casal deve começar a conversar sobre dinheiro?
Vera Rita de Mello Ferreira – O dinheiro tem significado para as pessoas. Como ele é finito, a gente já espera um certo grau de conflito. É importante começar antes do casamento e do jeito que for mais fácil para o casal: se for de uma forma ampla, geral, legal.

Se for mais fácil em cima de uma planilha, ótimo. Depende do estilo dos dois. A conversa sobre dinheiro não precisa ser chata ou um problema para os dois.

Dá para fazer isso de forma equilibrada e madura?
Não é a coisa mais fácil do mundo, mas se a relação é boa, eles vão encontrar um jeito de encaminhar essa questão ou qualquer outra. Se a relação não tem cumplicidade, não é madura e amorosa, qualquer assunto vira um abacaxi, uma guerra, tudo vira problema.

Como dividir as contas sem causar estresse?
Os casais se casam sem conhecer a vida financeira do parceiro, às cegas no que diz respeito a isso. Então é fácil dar encrenca. É interessante cada um ter sua a conta bancária e uma conta conjunta também. Elaborar um orçamento do casal a dois pode parecer bobagem, mas ajuda a dar leveza ao tema. Pode ser difícil começar, mas é importante insistir, porque o assunto tem de ser conversado pelo menos uma vez por mês.

Quando a mulher ganha mais é difícil manter a relação?
A mulher ganhar mais é um tabu às avessas e com isso vêm outros problemas: elas acham que ter mais dinheiro ameaça o casamento e a potência sexual do parceiro, e não estão de todo erradas.

Para o homem, existe mesmo essa relação do “ter dinheiro e ter potência sexual”. Então, se a relação não for de boa qualidade, ele se sente diminuído e os dois acabam se desentendendo, esfriando um ao outro porque não conseguem uma abertura nem para conversar sobre o que está acontecendo.

Qual é a melhor forma de o casal se organizar para não criar um abismo financeiro entre eles?
As pessoas ficam levemente paranoicas quando o assunto é dinheiro. Não acho que seja obrigatório abrir toda a vida financeira para o cônjuge, mas é preciso ficar à vontade com o assunto e discutir os projetos da família, as dificuldades e comemorar os ganhos.

Tudo fica mais fácil se os dois ganham dinheiro, se têm fonte de renda. Se não, acaba se instalando uma situação de poder e controle: quem tem, controla mais, dá a palavra final, e normalmente é o homem. Poder ter um momento para conversar sobre isso de forma institucionalizada, sem estresse, falar sobre o que está acontecendo na vida financeira é interessante.

Não aponte o dedo e cobre excessivamente, porque senão ninguém vai querer parar para conversar de forma nenhuma.

Existe chance de alguém “mão aberta” se casar com um “pão-duro” e essa relação dar certo?
Difícil. Quando um dos lados é organizado e o outro gasta demais, o organizado acaba desanimando. Tem gente que lá pelas tantas chuta o pau da barraca, porque o outro está gastando muito e ele não vê motivo para guardar, se programar, correr atrás porque o outro vai lá e “torra o dinheiro”.

Quem gasta muito contamina negativamente o outro, que acaba largando mão e começa a gastar também. As brigas acabam ficando cada vez mais frequentes e podem levar até a uma separação.

E quando falta dinheiro?
Quando ele falta, fica tudo mais estressante, pode ficar sem graça, desesperador quando envolve saúde, por exemplo. Muitos pensam: “se não fosse o dinheiro, seria uma maravilha”. Que nada, antes fosse assim!

Claro que a falta de dinheiro crônica é um estresse e existem estudos que mostram que ele aumenta o nível de felicidade. Mas não aumenta a sensação de bem-estar. Isso ele não compra.

Como economizar para um projeto a dois?
Conheci um casal que criou uma espécie de jogo de quem conseguia economizar mais durante a semana. E funcionava, eles achavam divertido, era um desafio e acabavam economizando. A estratégia dá certo e pode ser adotada pela família quando tiver filhos. As crianças adoram, vão participar e achar interessante.

Mas nada substitui uma boa conversa. Troque ideia e não precisa ser só sobre números, mas sobre a própria relação com o dinheiro, como era na família de origem, quem inspirava.

Trace metas: apartamento maior, viagem a dois, novo carro. Os casais também podem aproveitar o embalo e estudar um pouco mais sobre educação financeira.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.