Os doces árabes produzidos e vendidos no restaurante do libanês Rami Jrab, em Guarapari, vão ajudar vítimas atingidas pela explosão no porto de Beirute, no Líbano.
A explosão, que aconteceu no dia 4 de agosto, provocou a morte de mais de 150 pessoas, devastou bairros, deixou milhares de desabrigados, destruiu dezenas de hospitais, clínicas e mais de 100 escolas.
Na semana passada, a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que precisa arrecadar 565 milhões de dólares (R$ 3,1 bilhões) para ajudar os afetados.
No restaurante árabe Tarboush, toda a produção de doce vendida até o dia 4 de setembro será destinada para o fundo de ajuda humanitária.
“As pessoas estão precisando demais. Muitos libaneses ainda estão machucados, e grande parte dos moradores do entorno perderam suas casas, seus trabalhos, famílias. Neste momento, fica difícil enviarmos coisas materiais, então a venda de doces foi uma forma de arrecadar dinheiro para ajudá-los no que for preciso”, disse Rami.
O dono do restaurante perdeu três amigos, e muitos familiares tiveram as casas afetadas.
“Meus familiares também foram atingidos, porém sofreram menos com o desastre. Na casa de meus pais, a vidraça foi levada com o impacto. Perdi três amigos. Eles morreram com a explosão”, conta Rami.
Os doces são vendidos a partir de R$ 8 e fazem sucesso. A goma recheada, o “namoura”, é um bolo árabe com calda de canela e cobertura com mix de damasco, castanha, nozes e passas.
Há também o “baklava”, que é um doce de massa folhada com calda árabe e recheio sortido de nozes, castanha e pistache, entre outras guloseimas.
Na semana passada, o governo do Líbano determinou a abertura de uma investigação para verificar se a explosão no armazém da região portuária de Beirute foi causada por negligência, acidente ou uma possível interferência externa.
Mudança para Guarapari após se encantar com tranquilidade
O libanês Rami Jrab se mudou para Guarapari há quatro anos, depois de conhecer a cidade e se encantar pela tranquilidade do local. Ele lembrou que, em dezembro de 2014, visitou o município a passeio.
Dois anos depois se casou com uma capixaba e resolveu morar e abrir um restaurante que pudesse servir comida árabe e também libanesa.
“Me apaixonei pelo local. Voltei, casei, abri o restaurante e não penso mais em voltar. As comidas árabes e libanesas são diferentes e bem temperadas. Mas percebi que as pessoas gostam de temperos”, disse.
Para o libanês, a cidade é muito acolhedora. “Aqui é tranquilo. Tudo é perto e eu gosto muito daqui. Já conheci várias outras cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, e até mesmo no Espírito Santo, mas gostei mesmo foi de Guarapari”, completa Rami.
O restaurante Tarboush apresenta uma culinária exótica, com os pratos que levam carne de carneiro, entre outras especialidades da comida árabe.
O narguilé, uma espécie de cachimbo de água de origem oriental, utilizado para fumar tabaco aromatizado, é liberado para uso nas dependências do restaurante em Guarapari.
