O nível da lagoa Juparanã, que está 4,5 metros acima do volume normal, só deverá ser regularizado em aproximadamente dois meses, após a abertura do canal na barragem do Rio Pequeno que ocorreu hoje pela manhã, em Linhares, no Norte do Estado.
A informação é do 2º Sargento Rogério Rodrigues, do Corpo de Bombeiros em Linhares e da coordenação regional da Defesa Civil Estadual. Entretanto, o prazo estipulado pela Fundação Renova – criada para implementar e gerir os programas de reparação dos impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG) – é de 30 a 45 dias.
A abertura do canal tem por objetivo reduzir os impactos do alagamento no entorno da Lagoa Juparanã que já afetou cerca de 500 produtores rurais e desalojou nove famílias ribeirinhas em Linhares e Sooretama.
Segundo o gerente de Território da Fundação Renova, Sérgio Kuroda, o canal tem 80 metros de comprimento e oito metros de largura. Ele disse que a obra envolveu cerca de 30 profissionais da Fundação Renova, entre equipes de execução, engenharia e diálogo.
A vazão inicial é de 1.200 litros por segundo, totalizando 1.800 litros por segundo, associado à bomba já instalada no local que tem capacidade de 600 litros por segundo. “A abertura foi feita aos poucos, de maneira controlada e 100% segura. Os próximos passos serão o aprofundamento do canal para aumentar a vazão”, afirmou.
“Caso haja uma cheia no Rio Doce, o canal será fechado, impedindo que as suas águas atinjam o Rio Pequeno. Visando monitoramento das cotas, a Fundação Renova manterá as medições diárias de nível”, comentou o gerente.
Para a abertura do canal, a ponte do Rio Pequeno na ES 245, teve o tráfego em esquema de Pare e Siga das 9h às 11 horas, com autorização do Departamento de Estradas de Rodagens (DER) e acompanhamento da Polícia Militar. “O trânsito no local foi liberado antes do previsto”, disse o gerente da Fundação Renova.
A cheia foi provocada pela construção de um barramento no Rio Pequeno, que liga a lagoa Juparanã ao Rio Doce. Essa obra que foi realizada no início do ano de 2016 visa impedir a entrada da água contaminada pelos rejeitos de minério da Samarco no principal fornecedor de água à população da sede do município.
