A cena se repete todos os dias em Vitória: nas primeiras horas da manhã, a doméstica Adriana Rosa, de 37 anos, vai até uma estação de bicicleta compartilhada, retira uma bike e segue cortando a cidade rumo ao trabalho.
Já são quase três anos no mesmo cotidiano sobre duas rodas. Resumindo em números, ela já fez 1.650 viagens, de acordo com o aplicativo Bike Vitória, e percorreu cerca de 20 mil quilômetros – o que seria suficiente para atravessar praticamente toda extensão da Muralha da China ou ir de Vitória à Cidade do México.
São dados que fizeram Adriana bater o recorde de pedaladas no sistema de bikes compartilhadas: ninguém usou mais o aplicativo do que ela. De segunda a sexta-feira, a doméstica sai de Inhanguetá e vai até a Praia do Canto, onde trabalha, passando por locais como a Beira-Mar, a Praça do Papa e a Curva da Jurema. Já são 18 mil km só para ir e voltar do trabalho.
“É bom para a minha saúde e para o meu bolso”, contou a doméstica, que passou a economizar R$ 165 por mês, sem ter de pagar passagem de ônibus. Com a bike, ela desembolsa R$ 45 por ano. Mas, neste ano, Adriana não vai gastar mais nada, pois ganhou do sistema o prêmio de 12 meses gratuitos por ser a usuária mais assídua. Já o tempo gasto no trajeto é quase o mesmo. Se antes, demorava 45 minutos para ir, em pé, no coletivo lotado, agora Adriana chega no trabalho após 50 minutos de pedalada.
Nem mesmo nos finais de semana ela para. Aos sábados e domingos, sempre que possível, Adriana usa a bicicleta para movimentar o corpo e manter a atividade física em dia. “Quando não pedalo, sinto até falta”, relatou.
“Gordinha”, como ela mesma se define, Adriana nunca foi fã de exercício físico. “De academia, então, nunca gostei”, ressaltou.
Os médicos dela, no entanto, recomendavam atividade física, já que as taxas de colesterol e triglicerídeos estavam altas. “Juntou essa necessidade com a vontade de parar de andar de ônibus. Eu pegava a linha 211, o ‘lotadão’. Para não ter de fazer caminhada de manhã como atividade física e depois encarar o ônibus, passei a usar bicicleta”, contou.
Os resultados logo vieram. Exames médicos recentes feitos por Adriana apontaram que as taxas agora estão normais, mesmo ela ainda estando acima do peso. O único medo da doméstica está no trânsito. Por isso, evita andar em locais sem ciclovia. “Muitos motoristas não respeitam, e ainda há muitas vias sem ciclovia”.

