
É que a instituição onde ela estava internada emitiu duas declarações de óbito. No primeiro documento, o hospital afirmou que ela havia morrido de choque séptico, broncopneumonia e cetoacidose diabética. Já a segunda declaração aponta como causa da morte angústia respiratória e Covid-19.
Jocimara Vieira de Souza morreu no dia 8 de agosto, após 14 dias internada, e foi sepultada no dia seguinte, sem presença dos familiares, seguindo protocolo para coronavírus.
A família informou que Jocimara começou a passar mal em casa e procurou ajuda no dia 25 de julho na unidade de pronto atendimento do bairro Marbrasa, em Cachoeiro, que constatou quadro de infecção urinária.
No dia 26 ela foi internada no Hospital de Jerônimo Monteiro. Como o quadro piorou e não há no local Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a paciente foi transferida para o Hospital do Aquidaban, em Cachoeiro, no dia 28.
Segundo o universitário Sander Vieira, 22 anos, sua mãe foi direto para o isolamento, onde passou por exames que deram negativo para Covid-19. Como o contágio foi descartado e dois dias depois ela ficou na UTI geral do hospital, junto com demais pacientes.
“Minha mãe não foi tratada como paciente Covid. Inclusive, nós a visitamos, eu, minha irmã, meu pai. Eu a abracei, a beijei. Se ela estivesse com coronavírus, eu teria me contaminado. Fiz teste anteontem e deu negativo”, explicou Sander.
A visita ocorreu no dia 8, poucas horas antes da morte de Jocimara, que foi às 17h15. Um médico conversou com a família e explicou que a causa do óbito foi choque séptico, broncopneumonia e cetoacidose diabética. O hospital emitiu uma declaração de óbito com estas causas. Um familiar conseguiu fotografar o documento.
No entanto, de acordo com Sander, a atendente teria recebido ligação informando que não era mais para entregar a declaração, alegando que novo exame atestou que a paciente havia contraído coronavírus.
A nova declaração de óbito, com causa de morte Covid-19, foi entregue apenas no dia seguinte, às 6h30. Somente depois de receber o documento é que a família conseguiu sepultar a dona-de-casa.
A família entrou com ação na Justiça. “Não é uma questão de pedir indenização, mas queremos uma explicação, saber o que de fato ocorreu. Foi uma violência muito grande contra nós. Meu pai está sem falar há dias. Não come direito. Emagreceu uns seis quilos”, destacou o filho.
O Hospital Materno Infantil respondeu, por meio de nota, que todas as informações quanto ao óbito da paciente foram devidamente esclarecidas à família. E afirma que a declaração de óbito válida atesta que entre as causas do óbito está Covid-19.