O dono da loja incendiada na Vila Rubim, em Vitória, terá de reformar e reconstruir todos os imóveis atingidos pelas chamas. Ao todo, 70 pessoas tiveram de deixar suas casas por conta do risco que as edificações correm, após o incêndio da última sexta-feira.
Além da loja Alves Couros e Decorações, oito imóveis foram interditados: dois prédios (um de 13 andares e outro de quatro), dois sobrados e quatro casas. De acordo com a Defesa Civil, os moradores só poderão retornar após as reformas.
“Já notificamos o proprietário e ele deve iniciar as ações para restabelecer a normalidade, recuperando os imóveis e realocando as famílias. Após a conclusão, a equipe da Defesa Civil voltará para verificar se o risco foi eliminado. Só depois disso, os imóveis serão liberados”, afirmou o coordenador da Defesa Civil de Vitória, Jonathan Jantorno.
O proprietário da loja tem cinco dias para iniciar as intervenções, começando pelo escoramento de uma laje que corre risco de desabar. A multa é de R$ 2 mil por dia em caso de descumprimento. De acordo com Jantorno, no entanto, as obras já tiveram início, mas ainda não há um prazo de conclusão.
No prédio vizinho, de 13 andares, toda lateral foi danificada. A parede de alguns apartamentos caiu e as chamas consumiram os cômodos.
Já uma casa que ficava nos fundos foi totalmente destruída. A moradora Marlene Vieira, 65, teve de deixar a residência às pressas. “Saí só com a roupa do corpo. Queimou tudo”, contou Marlene, que está ficando na casa de amigos.
O fogo teve início às 14h30 da última sexta-feira em uma edificação construída de forma irregular nos fundos da loja. O local armazenava produtos inflamáveis, como espuma, cola, tíner, couro e papelão. As chamas mais altas foram controladas às 23 horas do mesmo dia, mas ontem, mais de 60 horas após o incêndio, ainda havia bombeiros fazendo o rescaldo do local.
Tristeza e prejuízo entre comerciantes

Algumas lojas do entorno até abriram as portas na manhã desta segunda-feira (23), mas com dificuldade, por conta da falta de energia e dos poucos clientes.
Proprietário de um salão no térreo do Edifício Sassine – que está interditado –, Adriano Sandre, de 46 anos, conseguiu pegar alguns equipamentos e passou a trabalhar em um espaço cedido por uma amiga.
“Fiquei muito abalado emocionalmente, pois estou aqui há 30 anos e conheço todo mundo. No momento, temos de unir forças. Mas, mesmo que o imóvel seja liberado, eu não vou voltar para lá”, afirmou Adriano.
Por conta do incêndio, a luz na região foi desligada na última sexta-feira (20) e ainda não retornou.
Dono de uma barbearia que não foi interditada, Sidney Moreira, de 51, disse que a falta de energia está prejudicando o atendimento. “Por enquanto, só estou fazendo corte de cabelo masculino, com tesoura. É muito triste o que aconteceu”.
Já a gerente de uma padaria que fica na esquina do quarteirão do imóvel incendiado, Aparecida Vago, de 52, contou que a produção da sexta-feira foi perdida e alguns produtos perecíveis, como presunto e queijo, estragaram, já que a energia foi cortada.
“Só não perdemos tudo porque consegui levar um pouco para minha casa”, disse Aparecida. Alguns equipamentos queimaram com a queda de energia.
“A padaria ficou sem a batedeira do pão e a fatiadora de pão de forma. O movimento está voltando ao normal, mas com muitos transtornos. A água também foi cortada, então, não foi possível fazer a limpeza”, contou.
