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ENTREVISTA ESPECIAL

“Empoderamento feminino é uma construção diária”, diz especialista

Especialista afirma que a mudança parte da autoestima e da independência emocional. Processo começa já na infância

Última atualização

O empoderamento feminino se reflete em ações concretas, como a luta pela igualdade de gênero. Tomar poder sobre si, no entanto, é um processo que se inicia nas esferas mais íntimas da vida da mulher. 

Embora seja relacionada a uma consciência coletiva, essa transformação parte da autoestima, da independência emocional e da imagem sobre si própria, de acordo com  Margareth Signorelli, especialista em comportamento humano e sexualidade.

Ela explica que a consciência desse poder exige uma mudança interna, profunda e desafiadora. “O empoderamento feminino é uma construção diária”.

 A Tribuna – O empoderamento parte de um processo de reflexão pessoal?

Margareth signorelli – Ninguém se empodera de um dia para o outro. O empoderamento é uma construção diária.  Acontece com a mulher  se observando e  entendendo onde precisa melhorar. 

Pensar em formas de aprimorar a vida profissional,  como fazer uma pós-graduação, é um exemplo. Só chorar não resolve os problemas, precisamos de ações, e isso não é uma batalha, porque no empoderamento nunca se perde. Iremos crescer e construí-lo  todos os dias.

Quando começa?

Na infância, na formação da menina. Devemos mostrar como ela deve crescer e  fazê-la   entender quem ela é. As crenças sobre si mesma, como “eu não posso”, “eu não consigo”, “eu não mereço”, vêm da infância.  Quando construímos uma criança com “você pode” e “você consegue”, criamos outro perfil de confiança e independência.

 Assim, evitamos que a futura mulher tenha que passar por uma reconstrução da criança interior e fazemos ela entender que ela merece.

O autoconhecimento é um aliado do empoderamento?

É no autoconhecimento que existe e que cresce o amor por si. A gente não ama aquilo que a gente não conhece. Precisamos ajudar a criança a descobrir quem  ela é e entender o que gosta,  não gosta e que está tudo bem  ter opinião própria.

O autoconhecimento ensina a se entender, a se admirar e a  buscar o que realmente toca o coração. A partir disso, podemos até buscar ações para melhorar nossas falhas, corrigir o que não gostamos. Quando você se sente bem consigo, você busca coisas que te fazem bem.

Cuidar de si mesma tem influência nesse processo?

Cuidar do  corpo, da  aparência, é uma demonstração do amor próprio. E, nem sempre, aprendemos a nos amar na nossa formação. É como um bebê quando nasce: a mãe diz “eu já te amo”, mas é uma construção. São os trejeitos, o sorriso e a relação estabelecida. Aprendemos a amar por meio desse conhecimento cotidiano.  

Em vez dos pais falarem “você tem que gostar de você,  tem que se amar”, eles poderiam explicar que o amor próprio é se conhecer, cuidar de si mesma. Cuidar de si  internaliza o valor próprio e é  importante para o empoderamento.

Qual é o papel da família na construção da autoestima feminina?

Em famílias com um pai e uma mãe, em que haja essa relação entre feminino e masculino, o papel já começa pelo respeito nas relações. Não adianta dizer tudo isso, sobre autoconhecimento, amor próprio e autoestima, se a criança presencia violências em casa. 

A família deve dar suporte para as meninas por meio de relações equilibradas e estáveis. Conflitos são comuns e devemos mostrar que eles existem.  Mas, é nesses conflitos que podemos demonstrar que tudo se resolve com acordo e igualdade, sem desrespeito.

 Essa observação fica na memória da criança e, quando é positiva, se consolida para o futuro.  Fazer é muito mais importante do que dizer. As meninas vão perceber o carinho e o cuidado com a família e entender que não existe diferença de poder e, sim, respeito mútuo.

As mulheres estão com mais consciência desse poder?

Sim, e essa consciência é muito importante. Se não a tivermos, nossa saúde mental será afetada, nossa autoestima será baixa e nossas relações serão descartáveis e tóxicas.

E isso não acontece apenas nas relações afetivas. Precisamos nos atentar com o trabalho,  família e  os outros espaços. Essa consciência constrói o empoderamento nas relações, torna elas  mais saudáveis.     

Existem ações práticas para construir o empoderamento?

É preciso, primeiramente, refletir sobre as suas necessidades, o que é importante para você, quais são os seus limites, o que deseja ou não viver, descobrir suas crenças limitantes, como elas afetam a sua vida e o que é preciso para intervir nelas. 

Com essa reflexão, podemos melhorar e construir o empoderamento. Algumas respostas são tão profundas que podem ser buscadas no passado. Tudo o que questionamos pode ser respondido, e podemos administrar o futuro e equilibrar nossa autoestima.

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