“A educação é um dos bens mais valiosos”. Quem nunca ouviu essa afirmação? Histórias de superação, por meio da educação, inspiram a trajetória de quem sonha em transformar a vida.
Uma dessas histórias é do capixaba Lucas Fonseca, natural de Brejetuba, Região Serrana do Estado. Enfrentando diversos obstáculos, como a falta de energia elétrica em casa, ele se superou e hoje é educador, palestrante e empresário.
Até os 17 anos, Lucas não tinha recebido educação formal. “Minha mãe me ensinou a ler e escrever, mas nunca tinha estudado em uma escola. Foi com 17 anos que entrei na escola, fiz supletivo, depois me graduei e virei um professor”.
Hoje, aos 35 anos, é formado em Pedagogia e Administração. “Sempre digo que a limitação está na mente e não na condição financeira”, ensina.
A Tribuna – Por que só entrou na escola aos 17 anos?
Lucas fonseca – Não é que fui alfabetizado aos 17, minha mãe já tinha me ensinado o básico. Mas só tive acesso à escola formal com 17 anos, devido a toda uma história de crenças que meus pais tinham. Por isso, fiquei sem estudar.
Com 17 anos, eu saí de casa, fiz supletivo e, em um ano, fiz da primeira à quarta série. No outro ano, fiz da quinta à oitava; e em mais um ano, fiz o ensino médio todo. Fui para a faculdade, em Venda Nova do Imigrante, na Faveni, sem saber de que lado nascia o sol.
Antes de sair de casa, como era sua vida?
Eu fui conhecer energia elétrica aos 14 anos. Fiquei tão encantado quando vi uma lâmpada pela primeira vez que meu olho começou a queimar. Minha mãe precisou pingar leite para eu dormir. Já televisão, eu fui ter com 19 anos.
Atualmente, tenho três empresas, com 50 pessoas na minha equipe, e tenho a oportunidade de rodar o Brasil palestrando, tendo muito resultado do meu trabalho. Tem uma frase que gosto muito de falar: “Querem nossas medalhas, mas não querem nossas cicatrizes”.
Teve alguém como inspiração para sair de casa e estudar?
Eu ouvia muito rádio. Apesar de não termos energia elétrica, eu trabalhava na roça, pegando café para meu pai, só para comprar pilha. Eu sabia que existia o Plano Real, que o presidente da época era o Fernando Henrique.
Com isso, já imaginava que existia um mundo lá fora. O meu maior sonho aos 16 anos era comer em um prato de vidro. Essa pobreza não é só material, mas também cultural. Por isso, me tornei especialista em mindset, que é a programação mental, onde eu falo que a limitação está na mente, não na nossa condição financeira.
Eu me aprofundei no estudo da mente porque via que tínhamos condição de ter um prato de vidro, mas não podíamos por causa do medo de quebrá-lo.
Sentia alguma limitação?
O que sempre falo é que se a minha mente pode imaginar, ela tudo pode realizar. Até os 20 anos, eu não conjugava os verbos corretamente. Tive um grande desafio quando comecei a palestrar, porque eu já tinha formação, mas meu vocabulário era péssimo. Dormi três anos com um dicionário na cabeceira da cama para poder aprender palavras novas.
Quando vejo onde moro hoje, em Vitória, na Mata da Praia, essa realidade já existia na minha mente quando ainda estava em Brejetuba, porque criei um mundo na minha mente, e é esse que vivo hoje.
O que ensina hoje, com tudo que viveu e aprendeu?
Tenho um método, chamado MAP (Mindset de Alta Performance), em que oriento as pessoas a não somente criarem, mas a realizarem o que elas criaram na mente. Não basta sonhar, precisa acordar e realizar.
Tem gente que passa a vida inteira sonhando e não faz nada. Não é sobre pensamento positivo, é sobre ação. As pessoas têm de aprender a agir, em prol do sonho que elas tiveram um dia. Estou vivendo esse resultado maravilhoso hoje, mas trabalhei muito e continuo trabalhando.
Falta esforço para as pessoas alcançarem seus sonhos?
Existe uma cultura no Brasil, especificamente, que alguém tem de fazer pela gente. Chamo de síndrome do carente. São pessoas que esperam que o governo faça algo; que a mãe ou pai tem de pagar a faculdade; que o funcionário tem de dar conta. Temos de aprender a ser protagonistas.
Quando eu não tinha condições, eu capinava lotes para pagar minha faculdade. Na época, em 2004, minha faculdade custava R$ 310, e eu trabalhava o dia todo e morava de favor na casa de uma tia. Mas, olhando para trás, acho isso natural. A gente precisa aplaudir a nossa própria história. Precisamos ser protagonistas.
Só assim vamos esperar menos do governo, de pai e mãe, da família.
As pessoas não se dispõem a pagar o preço. Quando a fatura chega, elas desistem.
As pessoas não são resilientes. No meu ponto de vista, vencer na vida é uma obrigação, mas as pessoas não pensam assim. Elas querem que alguém faça por elas. Com isso, vivem na mediocridade. Medíocre é quem vive na média.
Perfil de Lucas Fonseca
Natural de Brejetuba, Região Serrana do Estado, Lucas começou a frequentar escola aos 17 anos. Fez supletivo, entrou para a faculdade, e hoje, com 35 anos, é graduado em Administração e Pedagogia.
Além de educador, é coordenador do Centro de Ensino Faveni Vix. Também é empresário, dono de um instituto que leva seu nome.
é Master em Programação Neurolinguística e desenvolveu o treinamento MAP – Mindset de Alta Performance.