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TRAGÉDIAS APÓS CHUVA

Enxada para procurar filha em deslizamento

Pais participaram das buscas pelos filhos desaparecidos em Petrópolis. Mãe procurou filha de 17 anos entre os destroços

Última atualização

Pais de crianças e adolescentes desaparecidos participaram das buscas pelos filhos em regiões afetadas pelos deslizamentos e inundações que destruíram parte de Petrópolis, na região Serrana do Rio de Janeiro.

No bairro Alto da Serra, onde pelo menos 80 casas foram afetadas, Gizelia Arcaminate, 36 anos, usou uma enxada para tentar encontrar a filha Maria Eduarda, de 17 anos, enquanto gritava pela jovem.

O corpo  foi localizado na noite de ontem. Gizelia contou que a filha foi encontrada no sofá da casa, abraçada à madrinha, Tânia, e à neta dela, Helena, de apenas um ano.

Na manhã de ontem, Gizelia cobrava ajuda para achar a filha. “Minha filha está soterrada. Cadê os bombeiros? Só os moradores estão aqui.  É revoltante, é nossa família que está aí”, lamentou a mãe, em entrevista ao UOL Notícias, antes da chegada das equipes de resgate.

Maria Eduarda, a Duda, trabalhava em um salão de beleza e estava investindo na carreira de digital influencer. Ela tinha o sonho de ser modelo, segundo a mãe. Duda foi uma das vítimas soterradas no Morro da Oficina, um dos locais mais devastados pela chuva.

Pai da bebê que estava com Duda, Bruno Carvalho participou das buscas, mas só encontrou a bolinha rosa da filha entre os destroços. “Só tive a dimensão quando cheguei no local”, contou Bruno, que soube da morte da filha na noite de ontem.

 Até a noite de ontem, o número de vítimas chegava a 94 mortos. A Defesa Civil Municipal contabilizou 258 ocorrências, sendo 213 deslizamentos e 45 desabamentos ou quedas de muros e árvores.

João Belisardo é mais um morador à espera de notícias. Sua filha, Michele, 33 anos, e a neta Larissa Afonso, 5, estavam em uma casa de três andares que desabou. “Minha filha, até às 18 horas de terça-feira, estava falando comigo, mas depois parou. Todo mundo que está aqui perdeu alguém”, lamentou. 

Ao todo, 372 pessoas estão sendo acolhidas em 33 escolas públicas do município. O governo do Estado também informou que 21 pessoas foram salvas com vida e que um hospital de campanha com dez leitos foi montado para oferecer atendimentos. A prefeitura decretou estado de calamidade pública e disse que equipes dos hospitais foram reforçadas para o atendimento às vítimas.

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