Atividades dinâmicas e lúdicas foram as apostas das escolas públicas para recuperar a aprendizagem que foi afetada durante a pandemia de covid. Gibis, xadrez, jogos matemáticos e rodas de leitura são alternativas usadas para melhorar a aprendizagem e diminuir as desigualdades.
Um dos projetos de destaque é o “Aprendendo Brincando”, da Escola Municipal Paulo Mares Guia, de Vila Velha, em que os alunos produzem gibis e plantam horta. O objetivo é integrar as disciplinas de Português, com produção de texto; Matemática, com razão e proporção entre as mudas; e Ciências, com aprendizados sobre alimentação saudável.
A professora de Língua Portuguesa da escola e idealizadora do projeto, Terezinha Maria Gobbi Zen, salienta que o objetivo do programa é desenvolver nos alunos, impactados com a pandemia, o interesse pela leitura e escrita. “Isso refletiu muito positivamente em todas as disciplinas”, conta.
Os alunos Sophia Costa Correia e Vinícius Fortunato Silva, ambos de 13 anos e da turma do 8º ano, foram participantes do projeto. Sophia relata que o programa a estimulou a se alimentar de uma forma mais saudável. “Eu não conseguia comer verduras e frutas e, com o projeto, comecei a comer”, cita.
O projeto teve início em 2021. Neste ano, a previsão é de que retorne em março. A produção de jogos de Matemática pelos próprios alunos foi uma das estratégias da Escola Municipal Deocleciano Francisco da Vitória, de Vista Dourada, em Cariacica, para melhorar o desempenho dos alunos do 4º e do 5º ano na disciplina.
No jogo, a criança faz uma trilha e, no caminho, responde a perguntas. “A participação é total, todos pensam na resposta”, contou a diretora, Ângela Maria de Oliveira.
A tecnologia foi outra aliada para recuperar os prejuízos causados pela pandemia, no caso da Prefeitura de Vitória, que vai disponibilizar, no próximo mês, 30 mil tablets com internet aos estudantes, segundo a secretária municipal de Educação, Juliana Rohsner. “Quando trazemos o tablet, falamos de inclusão digital e de facilitar a absorção dos conteúdos”, destaca.
Outra forma dinâmica de aplicar o ensino é pela prática do xadrez, realizada pela Escola Municipal Professora Eulália Falquetto, da Serra . Na unidade, de tempo integral, há também produção de horta para estimular a aprendizagem.
Ensino dinâmico aprovado
A estratégia de utilizar formas dinâmicas de ensino é vista positivamente pelos especialistas. Eles ressaltam que essa modalidade estimula os alunos.
Segundo o especialista em Sistemas Educacionais Edebrande Cavalieri, quanto mais motivação alimentarem os alunos, melhor. “A pandemia trouxe muito desânimo. Penso que, neste momento, a criatividade deve ser exercida por todos que atuam na educação. Criar materiais didáticos e inovar nas metodologias de ensino são ações fundamentais. As escolas não podem recomeçar como se nada tivesse acontecido”, diz.
Outro ponto que poderia ser usado pelos professores, segundo o especialista, é aproveitar a pandemia nos conteúdos das disciplinas, principalmente Biologia, História, Química e Sociologia. “Assim, os alunos compreenderiam o contexto geral e específico da pandemia”, destaca Edebrande.
Segundo a doutora em Educação Edna Tavares, os jogos e didáticas que usem o lúdico são boas ferramentas educacionais, principalmente na pandemia. “A criança, quando está em desvantagem, do ponto de vista de aprendizagem, se empenha um pouco mais quando há elementos dinâmicos de metodologia”.
Momento literário para alunos
O estímulo à leitura foi uma das estratégias da Escola Municipal Deocleciano Francisco da Vitória, de Cariacica, para enfrentar as defasagens nessa habilidade.
No projeto “Momento Literário”, os alunos se espalham pela escola, escolhem um livro, conforme o tema proposto, e o leem. Depois disso, preenchem uma ficha contando sobre a obra e vão a outras salas estimular outros estudantes a terem o gosto pela leitura.
Quem gostou de participar do momento foi a aluna Ana Clara Furtado Souza, de 12 anos. “A cada livro que eu leio, sinto que vou melhorando a leitura”, observa.