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Especialistas dizem como identificar os sintomas da depressão

Muito longe de ser uma doença exclusiva de adultos, a depressão tem atingido também jovens, adolescentes e até mesmo crianças. Diante do problema ...

Letícia Mameri

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Letícia Mameri alerta que sintomas de crianças e adultos são diferentes (Foto: Thiago Coutinho/AT)

Muito longe de ser uma doença exclusiva de adultos, a depressão tem atingido também jovens, adolescentes e até mesmo crianças. Diante do problema crescente, especialistas apontam alguns sinais que podem indicar a necessidade de ajuda profissional.

Psiquiatra e membro da Associação de Psiquiatria do Estado, Letícia Maria Akel Mameri Trés ressalta que em crianças, por exemplo, os sintomas não se manifestam da mesma forma que em adultos. Por isso, pode haver uma dificuldade de identificar um quadro de depressão.

“Os pais podem observar mudanças como uma irritabilidade excessiva, uma queda de rendimento escolar, choro”, aponta.

Ela observa que, a partir da adolescência, os sintomas relacionados a quadros depressivos começam a ficar mais semelhantes aos de adultos. “Aquilo que ele tinha prazer em fazer, passa a não querer mais, tem alteração de sono, alteração do padrão de alimentação, entre outros”.

A psiquiatra da infância e adolescência e presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins capítulo Espírito Santo, Fernanda Mappa, também frisou que as manifestações de depressão infantil podem não se apresentar com sintomas de melancolia e tristeza profunda, como no adulto.

“A criança não sabe dar esse tipo de informação, nomear essas sensações. Uma forma comum de ‘falar’ é usando o próprio corpo, ou seja, somatizando.”

Ela completou: “Somatização nada mais é do que uma forma de expressão física de sensações e sentimentos: dor abdominal, dor de cabeça, febres sem fator detectável. Nesses casos, muitas vezes o que vemos é a recusa escolar. Crianças faltosas na escola ou mesmo vão à escola, mas não conseguem ficar até o final das aulas.”

Ele reforçou que alterações de sono são comuns, com presença de mais medos e idas mais frequentes para o quarto dos pais. “Pode haver redução do apetite com perda de peso. Mais isolamento social.”

Fernanda Mappa orienta que os pais devem acolher a criança e suas queixas. “Devem evitar frases do tipo: ‘é frescura’, ‘na minha época, resolvia com chinelo’, ‘Para com isso, para que tanto choro?’”

O médico psiquiatra Jairo Navarro acrescentou que um dos problemas ainda é que alguns pais demoram a perceber as alterações que podem indicar uma depressão entre crianças e adolescentes.

“Muitas vezes, acham que é algo normal da idade. O ideal é buscar ajuda o mais rápido possível, principalmente com um psiquiatra ou com o pediatra, que pode referenciar um profissional”.

Suicídio é a segunda maior causa de morte entre os jovens

No mês em que são discutidas formas de prevenir o suicídio, o Setembro Amarelo, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) chamaram a atenção para o tamanho do problema: entre os jovens essa é a segunda maior causa de mortes no mundo.

O relatório da OMS apontou que, entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio fica atrás apenas de acidentes de trânsito entre as causas de morte.

O relatório ainda aponta que 9 em cada 10 mortes por suicídio podem ser evitadas, por isso a prevenção é fundamental.

O médico psiquiatra Jairo Navarro afirmou que os dados demonstram a necessidade de criar políticas públicas de saúde mental.

“No mundo todo, temos dificuldades de financiamento de saúde mental e esses dados servem como alerta, pois precisamos melhorar essa prevenção. Também demonstra aos pais, assim como às escolas, que têm papel fundamental nisso, a necessidade de conhecer as crianças e os adolescentes”.

A psicóloga e terapeuta familiar Gisele Aleluia, que dará palestra sobre “Suicídio e o valor da vida” no Masterplace Mall, no sábado, enfatizou a importância de falar sobre o tema e abordar a prevenção.

“Toda doença é uma resposta a uma circunstância. Quando ficamos gripados, é uma reação a algo que está agredindo o nosso corpo. O nosso cérebro também fica doente e essa é uma resposta a uma situação que a pessoa está com dificuldade de lidar”.

Ela acrescentou que o debate sobre o suicídio passa ainda por coisas que trazem vida. “Precisamos sonhar e ter esperança, e acreditar que tudo na vida é aprendido. Se hoje não sei algo, é preciso acreditar que se pode aprender.”

A psicóloga Rubia Passamai Navarro ressaltou que é fundamental que os pais estejam atentos, identificando mudanças comportamentais que possam caracterizar a depressão. “Apoiar, sem julgamentos, é o primeiro passo, que deve ser seguido pela busca de tratamento”.

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