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Especialistas explicam os riscos de produtos para limpeza de piscinas

Especialistas explicam que se forem utilizados sem controle técnico ou com misturas incorretas podem causar até morte

Wanderson Romão, professor de Química do Ifes, diz que concentrações altas podem levar a intoxicações agudas
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Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização


O uso de produtos químicos para a limpeza e desinfecção de piscinas é fundamental para garantir a qualidade da água. No entanto, quando esses produtos são utilizados de forma inadequada, sem controle técnico ou com misturas incorretas, eles podem representar sérios riscos à saúde, incluindo intoxicações graves e até morte.

O assunto ficou em evidência após um caso grave acontecer em São Paulo. A academia G4 GYN, localizada na Zona Leste da cidade, está sendo investigada após a aluna Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morrer depois de nadar na piscina do local.

De acordo com Renan Barroso, engenheiro químico e professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Campus Vila Velha, o problema não está nos produtos em si, mas na forma como são utilizados. “O cloro não é o vilão. Ele é extremamente importante. O risco está no uso indiscriminado, sem conhecimento técnico”, explica.

Segundo ele, os produtos à base de cloro possuem uma faixa correta de aplicação. “Se você coloca pouco, ele não funciona e permite a proliferação de micro-organismos. Se coloca demais, você cria um risco químico, com possibilidade de intoxicação”, afirma.

O professor de Química do Ifes Wanderson Romão, do Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), analisa que a concentração de cloro livre na água deve ficar entre 1 e 3 partes por milhão (ppm). “Acima disso já existe risco de irritação. Concentrações mais altas podem levar a intoxicações agudas”, alerta.

Do ponto de vista médico, a pneumologista Roberta Couto explica que os gases liberados nessas situações atingem principalmente o sistema respiratório.

“Ao serem inalados, podem irritar as mucosas do nariz, dos olhos, da garganta e até do pulmão. Os pacientes podem apresentar tosse, dor no peito e dificuldade respiratória”, afirma.

Ela ressalta que o quadro pode ser ainda mais grave em pessoas com doenças respiratórias prévias, além de crianças e idosos. “Essas pessoas são mais vulneráveis e podem evoluir rapidamente para quadros graves”, diz.

Em casos extremos, a intoxicação pode ser fatal. “Se o pulmão fecha demais, a pessoa não consegue ventilar e não consegue fazer a troca gasosa. Isso pode levar à morte”, explica.

Saiba Mais 

Quais são os riscos?

O uso inadequado de produtos para limpeza de piscinas ou a mistura de alguns deles pode levar à liberação de gases tóxicos.

Esses compostos são altamente irritantes e, quando inalados, atingem principalmente as vias aéreas.

Sintomas

Ardência nos olhos, irritação na pele, tosse, dor no peito e dificuldade para respirar. Em casos mais graves, pode ocorrer o fechamento das vias respiratórias e insuficiência respiratória, com risco de morte.

Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias são mais vulneráveis e podem apresentar agravamento rápido do quadro.

Nem menos, nem mais

Os produtos à base de cloro devem ser utilizados dentro de uma faixa segura.

Quantidades abaixo do recomendado não garantem a desinfecção adequada da água, favorecendo a proliferação de bactérias, fungos e vírus, o que também representa risco à saúde. Por outro lado, o excesso de cloro pode causar irritações e intoxicações.

A concentração ideal de cloro livre em piscinas deve ficar entre 1 e 3 partes por milhão (ppm).

É possível identificar se a água está perigosa?

Nem sempre. A água pode aparentar estar limpa e transparente e, ainda assim, apresentar risco químico. Intoxicações por produtos de limpeza não dependem apenas da aparência da água.

No entanto, alguns sinais de alerta ajudam: cheiro forte de cloro, ardência imediata nos olhos, na pele ou nas vias respiratórias, gosto estranho da água e sensação de desconforto ao entrar na piscina.

Ao perceber qualquer um desses sinais, a recomendação é sair imediatamente da água e procurar um ambiente ventilado.


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