Porta de entrada para universidades e cursos de nível superior, um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), iniciado no último domingo, foi o objetivo de mais de 62 mil candidatos no Espírito Santo.
Entre os participantes, 144 pertencem a um segmento que desperta curiosidade: as pessoas acima de 60 anos.
Seja na busca pela realização de um sonho, pela qualificação profissional ou para encontrar um novo sentido de vida, a participação das pessoas nessa faixa etária comprova que não existem limites para recomeços.
Para a doutora em Educação Edna Tavares, a busca pela reinserção nos estudos contempla diversos fatores, entre eles o comportamental, o viés econômico e até mesmo o lado emocional.
“Observamos uma geração que está tentando se readequar à sociedade. E é por meio da socialização junto a outras gerações, como as mais tecnológicas, que se dá esse processo”, pontuou.
Por outro lado, o bolso também pode pesar na decisão pela volta à sala de aula. “Vivemos em um momento econômico difícil, no Brasil e no mundo. Alguns aposentados se veem numa situação desfavorável e buscam por uma reinserção para obter aumento de renda”, explicou Edna Tavares.
Além disso, segundo ela, o mercado de trabalho tem aberto cada vez mais as portas para essa faixa etária.
“O mercado valoriza essas pessoas porque, além da experiência de vida, elas chegam com uma vontade muito grande e um desejo por estabilidade no emprego”.
Para a especialista em gestão de pessoas e carreiras Gisélia Freitas, a tendência é que a participação daqueles com mais de 60 anos seja cada vez mais significativa.
“A bolsa de estudos é um facilitador, uma porta de entrada para o ensino superior, tão sonhado por muitos profissionais que não tiveram chances de ingressar em uma faculdade”, destacou.
Nesse sentido, o envelhecimento da população brasileira é fator importante. “Em 10 anos, a parcela de pessoas com 60 anos ou mais passou de 11,3% para 14,7%, segundo o IBGE”, observou.
“O acesso mais fácil à educação através das plataformas de ensino a distância é outro fator que tem motivado pessoas a repensarem suas vidas profissionais”, acrescentou a especialista.
DA ENGENHARIA PARA AS ARTES
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Aos 67 anos, o engenheiro civil Manços Di Cavalcanti realiza o Enem pela primeira vez.
Aposentado, ele disputa uma vaga para o curso de Cinema e Audiovisual ou Artes Plásticas. Manços conta que está ansioso para voltar a estudar.
“Quero voltar para a faculdade. Tenho algumas pós-graduações, mas não quero ficar parado. Agora, tenho tempo de estudar. Me preparei muito para a redação e outras provas”, disse.
SAIBA MAIS
Faixa etária
Menos de 16 anos: 210 inscritos
16 anos: 1.902 inscritos
17 anos: 6.762 inscritos
18 anos: 18.498 inscritos
19 anos: 10.254 inscritos
20 anos: 5.220 inscritos
21 a 30 anos: 13.009 inscritos
31 a 59 anos: 5.303 inscritos
Maior ou igual 60 anos: 144 inscritos
Abstenção
Do total de inscritos no Espírito Santo, 18.638 não compareceram aos locais de prova no último domingo.