
A Diretriz de Prevenção da SBC traz, pela primeira vez, evidências científicas disponíveis, descrevendo que níveis elevados de espiritualidade e religiosidade estão associadas a comportamento saudável, melhor adesão a tratamentos e controle de doenças, como colesterol elevado, hipertensão, obesidade e de diabetes.
Por isso, a sociedade incentiva que os médicos e os profissionais de saúde abordem o assunto com os pacientes.
Segundo o Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular (Gemca), várias pesquisas, nacionais e mundiais, relacionam benefícios cardiovasculares com a espiritualidade não só na prevenção, como também nos tratamentos.
“As pessoas que têm uma espiritualidade maior, os valores são diferentes, o comportamento se modifica. Quem tem religiosidade maior tende a se cuidar menos, e esses comportamentos aliados a outras práticas, modificam as reações do organismo”, explicou o cardiologista presidente do Gemca, Roberto Esporcatte.
Ele explica que para o grupo, espiritualidade é diferente de religião. “Há uma distinção entre religiosidade e espiritualidade. A pessoa que tem uma religiosidade é segue os padrões de uma certa religião. Mas não é necessário que pessoa tenha uma religião para ter espiritualidade”.
O cardiologista e vice-presidente do Gemca, Mário Borba, destacou que a diretriz não é uma ordem, mas uma orientação para os médicos, pois a questão da espiritualidade relacionada com a saúde é um assunto que os pacientes querem ouvir em consultório.
No entanto, para a orientação sobre a espiritualidade, é preciso sensibilidade do médico e também aceitação do paciente.
“Pesquisas mostram que 90% pacientes desejam que os médicos abordem o assunto com eles. Mas essa abordagem tem de ter a aceitação de pacientes, por meio de questionários. Da mesma forma como o médico aborda se o paciente faz exercícios, pode perguntar também sobre a espiritualidade”, explicou.