O Espírito Santo é o terceiro estado do País com maior número de mortes em decorrência do consumo de álcool. Os dados são do levantamento do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).
São 41,5 mortes ligadas à bebida a cada 100 mil habitantes, deixando o Espírito Santo atrás apenas de Pernambuco (41,7/100 mil) e Sergipe (44,2 mortes/100 mil). A pesquisa revela que as mortes por consumo de álcool representam 6,7% do total de óbitos no Estado.
As principais causas de mortes ligadas ao uso de álcool foram: acidente de trânsito (19,7%), violência interpessoal (16,1%), cirrose hepática (15,5%) e transtornos mentais e comportamentais (10,2%).
Para o médico João Chequer, especialista em Dependência Química, as pessoas tendem a consumir mais bebidas alcoólicas no Estado, por ser uma região com grande extensão litorânea.
“Sol, sal, praia, o verão, tudo isso influencia o capixaba a beber. Também tem o fator cultural. Aqui, tudo vira uma festa”, ressaltou o especialista.
O médico ainda explicou que o álcool pode ser nocivo até mesmo quando não há dependência. “Ele provoca no indivíduo doenças neurológicas e agride o coração, o pulmão, provoca aumento da pressão arterial e está relacionado a 30% de todas as doenças malignas do nosso organismo”, disse.
Conforme o levantamento, o Estado registrou 7.443 internações relacionadas ao uso de álcool em 2018. Foram 6.998 internações atribuídas parcialmente ao álcool e 445 totalmente atribuídas ao uso de álcool. Além disso, houve aumento no consumo entre as mulheres e pessoas acima de 55 anos.
“Temos observado um aumento no uso de álcool entre as mulheres e idosos, não só em relação à quantidade, mas também à frequência. Eles são mais vulneráveis aos efeitos do álcool por razões fisiológicas e, por isso, é recomendado mais atenção ao consumo de bebidas”, destacou o psiquiatra Arthur Guerra, presidente do Cisa.
Saiba mais
Risco de dependência
- O consumo nocivo de álcool traz sérios problemas ao organismo e prejudica órgãos, como o cérebro e o coração, e sistemas, como o digestivo e o imunológico, além de estar associado a alguns tipos de câncer.
- De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), se a pessoa bebe, corre riscos de saúde e outros problemas, especialmente se consome mais de 20g de álcool puro por dia ou se não deixar de beber por dois dias na semana.
- O álcool é uma substância depressora do sistema nervoso central.
- A relação entre a quantidade de álcool ingerida e os efeitos vindos desse consumo é conhecida como dose-efeito.
- O impacto do álcool na saúde é determinado por dois fatores distintos, mas relacionados: o volume total de álcool ingerido e o padrão de consumo.
- Os prejuízos podem ocorrer tanto em curto prazo, como ressaca, blecaute alcoólico, envolvimento em situações de violência e acidentes de trânsito, quanto em longo prazo, dependência, cirrose hepática, déficits cognitivos, alguns tipos de câncer, dentre outros.
- O álcool é transportado pelo sangue para todos os tecidos que contêm água. As maiores concentrações de álcool encontram-se no cérebro, no fígado, no coração, nos rins e nos músculos.
- Não há consenso sobre a dose exata de bebida alcoólica que venha fazer mal.
- Quando buscar ajuda? Nas situações em que o álcool influenciar negativamente a saúde física, a rotina ou as relações pessoais.
Fonte: Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).
