Da costureira Maria de Fátima Soares, de 48 anos, que era conhecida por seu jeito alegre, ao cinegrafista Ricardo Duque, 50, um torcedor apaixonado pelo Vitória. Diferentes em suas personalidades e trajetórias de vida, mas unidos pela tragédia numa mesma estatística: a de ciclistas mortos no trânsito capixaba.
Maria e Ricardo morreram no intervalo de 10 dias. Ela, em Vila Velha, atropelada por um motorista embriagado; ele, em Vitória, atingido por um carro em alta velocidade. Ambos fazem parte de um número que só cresce: já são 32 ciclistas mortos em um ano no Espírito Santo.
Somente entre junho de 2019 e junho deste ano, 1.477 ciclistas foram vítimas de graves acidentes no Estado, segundo o Samu. A média é de quatro acidentados por dia, 70% a mais do que era registrado há cinco anos. Em 2015, foram 866 atendimentos, número que sobe a cada ano: 1.037 em 2016; 1.403 em 2017; 1.467 em 2018, até alcançar 1.682 no ano passado.

Os atendimentos aos ciclistas pelo Samu envolvem lesões consideradas graves, como fraturas nas costas, crânio, tórax, quadril, braços e pernas. São acidentes como o de Dionatan Lourenço, de 31 anos. Em abril, o morador de Cariacica pedalava pela Rodovia do Contorno quando se desequilibrou ao passar por um trecho irregular da pista, caiu e foi atingido por um ônibus. O impacto foi tão forte que Dionatan fraturou a clavícula e a coluna, além de ter o pulmão ferido.
“Fiquei um mês sem levantar da cama e até a semana passada estava usando ferros na clavícula. Já são três meses de tratamento e a partir de semana que vem começo a fisioterapia”, contou Dionatan.
Quem também sobreviveu foi o autônomo Josenir Gomes, 44, que caiu embaixo de um caminhão após ser atingido pela porta de um carro em Maria Ortiz, Vitória. “Levei 10 pontos entre o trapézio e o pescoço. O capacete trincou, mas salvou minha vida”, disse.