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Estado tem 32 mil bebês nascidos na pandemia

Nascidos em um dos períodos mais difíceis da história, os bebês que vieram ao mundo nos últimos meses trazem ares de esperança e desafio no dia a dia ...

Joarley Cuzzuol, 31, com a mulher Danielly Cabral, 28, e as gêmeas Valentina e Antonella, de 4 meses: melhor ano

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Nascidos em um dos períodos mais difíceis da história, os bebês que vieram ao mundo nos últimos meses trazem ares de esperança e desafio no dia a dia dos pais.

São 32.303 “capixabinhas” que nasceram entre abril e outubro, segundo o Registro Civil, período em que o mundo foi assolado pela pandemia da Covid-19.

Quem recebeu o teste positivo de gravidez no fim de 2019 ou nos primeiros meses deste ano não podia imaginar o cenário que o filho iria encontrar: afastamento social e preocupações extras com a saúde.

Foi o que aconteceu com a professora Danielly Cabral, 28 anos. A notícia de que estava grávida, em novembro, chegou com muita alegria para ela e o marido Joarley Cuzzuol Morellato, 31, mas aos poucos foi se tornando medo enquanto a pandemia avançava. Ainda mais que a gestação era em dose dupla: gêmeas.

“Fiquei ainda mais desesperada no sexto mês, quando meu marido testou positivo para a Covid. Fiquei 14 dias isolada dele. Já quando elas nasceram, tive ajuda da minha mãe e de uma tia, mas sei que a rede de apoio seria gigantesca, pois muitos queriam ajudar, mas não podiam”, disse.

Joarley Cuzzuol, 31, com a mulher Danielly Cabral, 28, e as gêmeas Valentina e Antonella, de 4 meses: melhor ano (Foto: Cristiano Borges/ Divulgação)

Hoje, ainda existe a preocupação com as pequenas Valentina e Antonella, de 4 meses, mas o amor é ainda maior. “Apesar de tudo que está acontecendo em 2020, está sendo o melhor ano da minha vida. Foi o ano em que eu renasci, me tornei uma pessoa muito melhor”, disse.

A ginecologista e obstetra Anna Carolina Bimbato diz que as mães tiveram muita dificuldade n a pandemia: no pré-natal e após o parto.

“Primeiro no pré-natal, já que os pais não podiam acompanhar, e muitas vezes elas se sentiram sozinhas. Depois do parto, as visitas foram reduzidas também. Além disso, dificultou pela impossibilidade de fazer exercício físico”, disse.

Essas dificuldades acabaram até adiando os planos de quem pretendia ter um filho, situação que agora começa a mudar. “No início, adiaram até por achar que a pandemia logo iria acabar. Mas, agora, muitos partos já estão programados, e o número deve subir”.

Enquanto a preocupação começa a perder espaço, até mesmo os tradicionais ensaios fotográficos com recém-nascidos voltam a fazer parte da rotina, como conta o fotógrafo Cristiano Borges. “As mães estão mais confiantes”, disse.

Pesquisa avalia se criança pode sofrer traumas no futuro

Essa “preocupação coletiva” desencadeada nas mães pela pandemia deu início a um debate científico sobre a possibilidade de os bebês nascidos durante o isolamento sofrerem de problemas de saúde.

A pesquisa mais avançada está monitorando mulheres grávidas no Canadá. O objetivo do estudo feito na Universidade de Calgary é detectar se essa tensão do momento pode estabelecer uma base que desenvolva problemas cognitivos, mentais, emocionais e físicos.

Mas nem todos acreditam que os bebês nascidos durante a pandemia estejam destinados a passar por dificuldades. “Esses efeitos colaterais são generalizados, pois nem toda criança vai ter esses efeitos, pois isso vai depender muito das pessoas que convivem com a criança dentro de casa”, afirmou a psicóloga Thayse Espíndola.

A psicóloga acredita que os problemas só serão mais comuns com as mulheres que têm dificuldades nos hospitais. “Muitos partos mudaram. O abalo pode ser maior. O que pode ocorrer, também, são questões psicossomáticas, quando somam doenças que a criança já teria, como asma e bronquite. As crianças, deixando de sair, o que influência nos anticorpos”.

Medo e superação

“Abençoou a minha vida”

A técnica em enfermagem Alessandra Faroni ficou grávida do Davi aos 39 anos. Ela e o marido Paulo Sergio dos Santos descobriram justamente no primeiro mês da pandemia. O medo da doença se somou aos dois abortos que ela havia sofrido.

A técnica em enfermagem Alessandra Faroni ficou grávida do Davi aos 39 anos. Ela e o marido Paulo Sergio dos Santos descobriram justamente no primeiro mês da pandemia (Foto: Leone Iglesias/ AT)

“Por conta disso, preferi não criar expectativas e, quando o bebê, veio me vi apreensiva por causa da pandemia. Porém, a família me apoiou muito, e o Davi veio para abençoar minha vida”, disse Alessandra.

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