Diferente da crença popular segundo a qual “criança gordinha é criança saudável”, o sobrepeso e a obesidade na infância não estão relacionados ao bem-estar.
Cálculos feitos a partir de projeções da população no Espírito Santo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dados do Ministério da Saúde indicam que, pelo menos, 123 mil estão acima do peso no Estado. Destas, 51 mil são obesas.
Os números preocupam médicos que alertam sobre os riscos e os cuidados necessários para combater esse mal. Os aparelhos telefônicos, aliados à baixa qualidade nutricional e à falta de exercícios físicos contribuem para o crescimento de crianças acima do peso.

A médica ainda alerta para o fato de que muitos não veem a obesidade como uma doença.
Aproximadamente 80% dos casos de obesidade infantil tendem a permanecer na vida adulta. Além disso, o sobrepeso predispõe a doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiológicos.
“Cada vez mais, veremos, no futuro, jovens com problemas como infarto precocemente, por conta da má alimentação na infância”, prevê a pediatra Laís Fraga.
Ela frisa que os dois primeiros anos de vida são importantes para a vida saudável, pois é quando o paladar da criança está mudando.
Para a nutricionista materno-infantil Carolina Duarte, a família precisa ser aliada da criança neste momento.
“Ela deve buscar acompanhamento de um profissional especializado, melhorando os hábitos alimentares de todos junto à criança, aumentando o consumo de alimentos mais naturais, evitando os industrializados, incentivando a prática de atividade física e fazendo trocas saudáveis”, orientou.
Pandemia agrava quadros
A pandemia agravou a situação de sobrepeso e obesidade entre crianças, segundo médicos. O confinamento aumentou o consumo de produtos industrializados e diminuiu os exercícios físicos.
“Esse número aumentou drasticamente neste período de pandemia. Com o fechamento prolongado das escolas, as crianças acabam ficando muito tempo em frente às telas. Isso afetou muito a saúde mental dessas crianças e a saúde física também”, explicou a endocrinologista pediátrica Letícia Guimarães.
Para a pediatra Laís Fraga, muitas crianças foram emocionalmente afetadas durante a pandemia. A ansiedade provocada pelas aulas online, medo de um vírus que provoca adoecimento e até morte.
“Elas não foram preparadas para isso, e muitas acabam descontando na comida. Somente um profissional vai conseguir identificar qual a causa do sobrepeso da criança e tratar da forma correta”, acredita Laís.
SAIBA MAIS
Maior risco de doenças cardíacas

– Cálculos feitos a partir de projeções da população no Espírito Santo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e dados do Ministério da Saúde indicam que, pelo menos, 123 mil crianças estão acima do peso no Estado. Dessas, 51 mil são obesas.
– Dados do Atlas da Obesidade Infantil no Brasil mostram que, no Estado, entre os menores de 2 anos, 17,4% estão acima do peso ideal para a idade e 6,5% são obesos.
– De acordo com os dados, são 12,3% de crianças com excesso de peso entre os 2 e 4 anos, 5,2% delas com obesidade.
– Entre as crianças de 5 a 9 anos, 28,4% estão acima do peso. Dessas, 12,2% têm obesidade.
Gordura corporal
– A obesidade infantil é caracterizada por um excesso de gordura corporal em crianças de até 12 anos. É considerado sobrepeso quando o peso da criança está, no mínimo, 15% acima do peso de referência para sua idade.
– O diagnóstico também pode realizado através do IMC (índice de massa muscular).
Causas
– Nem sempre a obesidade infantil ou o sobrepeso tem relação com o consumo excessivo de comida.
– Existem outros possíveis fatores, como alimentação pobre de nutrientes, rica de gordura, industrializados, e o sedentarismo. A criança que não gasta mais calorias do que come pode ter ganho de peso.
– Problemas de saúde mental, como depressão ou ansiedade, também podem alterar o comportamento da criança. Ela pode desenvolver compulsões alimentares, perder a vontade de praticar atividades físicas e sentir outros sintomas que prejudicam a sua qualidade de vida.
– Existem, ainda, as causas genéticas e hormonais.
Riscos
– Crianças acima do peso são mais propensas a ter asma, apneia do sono, problemas nos ossos e articulações, diabetes, colesterol alto, problemas no fígado e ainda doenças cardíacas.
– As crianças obesas, em sua maioria, se tornam-se adultos obesos. A longo prazo, também têm mais risco de desenvolver uma série de doenças, incluindo derrame cerebral, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer.
Cuidados
– A melhor estratégia para que a criança mantenha ou perca peso é mudar seu estilo de vida. O ideal é que a família toda incorpore a mudança de hábitos.
– Antes de mudar hábitos alimentares, é preciso procurar um especialista para diagnosticar os motivos do sobrepeso e indicar o melhor caminho para perda de peso.
– Inclua na alimentação uma variedade de frutas e legumes. Compre menos produtos industrializados.
– Exercício físico: as crianças devem praticar, pelo menos, uma hora de exercício físico por dia.
– Limite o tempo que seu filho passa à frente da televisão, videogame, smartphone, etc. Encontre uma atividade que seu filho goste.
Fonte: Especialistas consultados.