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Com a alta dos alimentos, os “caçadores” de promoções têm entrado cada vez mais em cena. Mas, ao encontrar produtos com preços mais baixos, vale a pena comprar e estocar?
Roberto Vertamatti, diretor de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), pede cautela quanto a essa opção. “Quando você fala de alimentos, tem a questão da data de validade que não deve ser esquecida. Por exemplo, quem consome por semana duas latas de leite, se tiver promoção, pode comprar quatro”.
Segundo ele, apesar da elevação do preço dos alimentos, da questão da logística, além da guerra da Rússia e Ucrânia, não há, nesse momento, sinalização de que haverá falta de alimentos no Brasil, diferentemente do que está acontecendo em alguns lugares da Europa.
“Estocar não é a melhor opção. Se houvesse uma inflação galopante, como a gente viveu até 1994, aí sim, as pessoas chegavam no início do mês e compravam tudo, porque muitos produtos aumentavam entre 20% a 30%.”
O economista Sebastião Demuner também não considera essa a melhor forma de economizar, mas sim substituir itens da cesta básica por aqueles mais em conta, além de comprar vegetais, legumes e frutas da época. “O importante é sentar com toda a família e explicar o novo momento”.
Mesmo não sendo a melhor saída, na casa de um gari, de 33 anos, compras maiores de itens básicos, para até dois meses, têm sido uma estratégia.
“Como recebo vale-alimentação, usamos o valor para comprar itens como arroz, feijão, óleo, açúcar, para dar para mais dias. Estamos comprando menos carne, mais ovos, salsicha e salame. A carne já estava difícil de comprar antes, então não dava para estocar. Agora, é impossível.”
Ele ainda contou que é o seu salário que sustenta a casa, que tem ainda a mulher e três filhos. “Economizamos até a água do banho para jogar na privada”.