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Para muita gente o mês de dezembro é de festas, confraternização, troca de presentes e ceias fartas. Só que esse também pode ser um mês de excesso de compromissos e gastos.
Além disso, há os que sofrem com os planos que não foram realizados. Todo esse estresse de fim de ano pode ser perigoso para a saúde, segundo médicos.
Dados da International Stress Management Association – ISMA-BR (Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse) dão conta de que o nível de estresse entre as pessoas aumenta, em média, 75% no último mês do ano.
Um outro estudo, publicado no British Medical Journal (Jornal Médico Britânico), mostrou um aumento de 37% nos casos de ataque cardíaco no dia de Natal e 20% na celebração de virada do ano.
Época de mais movimento no trabalho
Para o empresário Rafael Aquino, de 38 anos, o fim de ano é sempre de muito trabalho. Sócio de um salão de beleza, Rafael conta que está a mil por hora neste fim de ano, época em que seus negócios têm mais movimento.
Comandando 70 colaboradores e trabalhando das 7 horas até a madrugada, Rafael afirma que o estresse é quase inevitável.
“Temos trabalhado todos os dias desde a segunda semana de dezembro. A quantidade de horas trabalhadas por dia é muito estressante. Além disso, temos ainda a família, que precisamos dar atenção”.
Para reduzir o estresse, Rafael não abre mão do exercício físico. “Às 6h30 já estou na academia, que é a minha válvula de escape. Já teve época de passar a virada de ano dentro do carro, pouco depois de sair do salão”, afirmou.
O cardiologista Pietro Lima pontua que um dos maiores problemas no fim de ano é o financeiro. “O lado financeiro é um grande desencadeador de estresse. Quem não acertou as contas durante o ano começa a entrar em uma sensação de cobrança pessoal, punição e gera uma carga de estresse”.
“Essa adrenalina é desencadeada pelo cérebro, vai para o coração e é quando ocorre a taquicardia, a pressão aumenta, pode haver ansiedade e depressão. Essas descargas de adrenalina fazem vasoconstrição podendo causar dor no peito e até doenças cardiovasculares, como infarto e AVC”, alerta Pietro.
O estresse é tão prejudicial à saúde que existe até uma síndrome com o seu nome: a miocardiopatia por estresse, conforme explica o cardiologista Diogo Barreto. “Ela leva à disfunção do músculo do coração. Existem algumas denominações dessa cardiopatia, uma é chamada de takotsubo, que é a síndrome do coração partido. Um evento grande de estresse pode causar a doença”.
O médico lembra ainda que o estresse pode afetar toda a saúde, impactando também o sono.
“O estresse é um grande problema de saúde pública, principalmente no fim do ano, devido a diversos fatores, como a parte financeira e conflitos familiares”.
Para evitar o estresse, a psiquiatra Maria Benedita Reis, membro da Associação de Psiquiatria do Espírito Santo (Apes), orienta reduzir a exigência. “Quanto mais exigentes formos conosco, maior é o nosso sofrimento. Precisamos aceitar nossas limitações, ver o que podemos melhorar, mas não sermos muito rigorosos”.