Depois da morte da mãe e de ser abandonado pelo padrasto, Thiago Monçores se tornou morador de rua da noite para o dia e viu sua vida virar ao avesso. Chegou a ser considerado morto pela família, mas agora, aos 35 anos de idade, transforma o visual de mulheres e se destaca em Guarapari como cabeleireiro.

Quando cheguei em Guarapari, a dona de um salão me ajudou. Por lá, fiquei por quase quatro anos”, contou.
“Depois, busquei mais conhecimento profissional, encontrei um novo salão para trabalhar. Há dois anos, trabalho no meu próprio espaço e tenho um orgulho danado da minha história”, completou.
Nascido no Rio de Janeiro, Thiago chegou a viver nas ruas de Manaus, no Amazonas, por dois anos e meio. Ele conta que, aos 15 anos, foi colocado na rua pelo padrasto e, por orgulho, decidiu que não procuraria ajuda de ninguém.
“Minha mãe era muito bem financeiramente. Antes dela morrer, me perguntou se eu queria morar com meu padrasto ou com meus parentes no Espírito Santo”, relatou o cabeleireiro.
“Ela passou todos os bens dela para o nome dele, para que ele pudesse administrar e cuidar de mim. Mas ele passou para o nome de uma terceira pessoa e, quando minha mãe morreu, eu não tinha direito aos 50% de nada. Um dia, cheguei do colégio e fiquei na rua. Ele não me deixou entrar mais”, lembra.
Faxineiro
Na rua, Thiago passou por momentos difíceis e chegou a pensar em morrer, por não ver uma luz no fim do túnel, revela.
Aos 17 anos de idade, segundo ele, conheceu uma senhora que lhe oferecia um prato de comida em troca de seu serviço como faxineiro na casa dela.
Depois, passou a ser cuidador dessa senhora e morou na casa dela por quatro anos, até ela morrer. A partir daí, passou a trabalhar na lanchonete dos filhos dela, mas o estabelecimento fechou e ele precisou procurar outras atividades.
Trabalhou como dançarino de bandas e virou modelo de uma agência até que encontrou a oportunidade de fazer um curso de cabeleireiro e seguiu para Guarapari, onde atua na profissão há mais de 10 anos.
“Meu sonho é ter família e filhos” – Thiago Monçores, cabeleireiro
O cabeleireiro Thiago Monçores, que morou por dois anos e meio na rua, hoje se orgulha de sua história de superação e sonha em constituir uma família e ter filhos.
A Tribuna – Como foi morar na rua?
Thiago Monçores – Na rua, é difícil ver uma saída. Sem mãe e pai, teve hora em que pensei em não viver mais. Eu estou vivo por causa dos animais.
A Tribuna – Como os animais te ajudaram a viver na rua?
Thiago Monçores – Um dia, revirando lixo atrás de comida, encontrei uma gilete, e coloquei no bolso. Isso ficou comigo por vários dias. Sem ver nenhuma possibilidade de sair daquele lugar (da rua), decidi que cortaria os pulsos. Enquanto eu tomava coragem, ouvi os cachorros chorando e me olhando. Aquilo me fez parar para pensar melhor.
Os cachorros eram os meus companheiros e me deram forças para sair da rua, assim como várias pessoas de bom coração que Deus colocou no meu caminho.
A Tribuna – Tem uma lição disso tudo?
Thiago Monçores – Passei por isso por ser muito orgulhoso. Hoje, tenho oportunidades que jamais imaginei. Eu desapeguei dessa minha atitude que eu tive, de ter escolhido morar na rua, de ter sido orgulhoso.
Acredito que me tornei uma pessoa melhor. Hoje, o meu sonho é constituir uma família e ter filhos.