“Eu sou um milagre”. É levando essa frase como uma bandeira que o pintor Odair Cardoso Brandão, ex-dependente químico, revela a história de superação que carrega.
Depois de viver dias sombrios usando drogas, ter participado de um assalto e ser preso, ter visto a namorada morrer em seus braços, o pintor agora ajuda jovens a se livrarem das drogas através de seu testemunho em Guarapari.
Aos 43 anos de idade, a rotina de Odair hoje se resume em família, igreja e trabalho. “Meu único vício hoje é ler a Bíblia e rezar, bem diferente da única preocupação que tinha no passado, que era saber se teria droga para consumir”.
O desejo de ajudar os jovens a deixar o universo das drogas surgiu, segundo o pintor, justamente pela experiência que teve.
“Uma experiência triste, dolorosa, que levou as pessoas a desacreditarem de mim. Eu dormi na rua, comi lixo e as pessoas tinham medo de mim”, contou.
“A droga era como se fosse minha comida diária. Só me destruía e eu não enxergava dessa maneira”, lembra Odair. O vício começou com o cigarro e a bebida, mas logo passou para maconha, cocaína, cola e até éter ou formol.
“Usava como um refúgio. Aos 7 anos, meu pai foi embora com outra família e nos deixou sem nada. Mas antes, meu pai era muito amoroso. Todo dia me beijava na cama, e isso acabou do nada”.
“Por diversas vezes, vi minha mãe chorando porque não teríamos pão para comer ao amanhecer”, contou emocionado.
“Minha mãe teve que começar a trabalhar. Trabalhava como cozinheira na creche, durante o dia, e à noite, no restaurante. Passei a andar com más companhias. Deixei os estudos e comecei a usar drogas. Isso, aos 13 anos de idade”.
Aos 17 anos, Odair foi convencido por criminosos a assaltar um ônibus e acabou sendo preso.
“No primeiro assalto, a polícia nos pegou. Fui preso. Senti vergonha da minha família, porque todos eles eram muito respeitados. Fiquei preso por alguns meses, e pensei em abandonar tudo”, relatou o pintor.
“O amor me salvou. Sou um milagre de Deus”
Ao deixar a prisão, bastou um primeiro reencontro com as antigas amizades que tudo voltou a ser como antes na vida de Odair Cardoso Brandão, ex-dependente químico. Mas, com uma diferença: ele encontrou uma namorada.
Foram seis meses de namoro e, durante um baile, a jovem foi assassinada. “Conheci uma menina de 16 anos, pela qual me apaixonei. Fomos a um baile funk e, em um confronto entre grupos rivais, um tiro atingiu o peito dela. Ela morreu nos meus braços”, contou.
Depois da namorada, ele viu outros amigos morrerem por causa da droga. Aos 23 anos, Odair conheceu um grupo da Renovação Carismática Católica (RCC), que o fez refletir sobre a vida que levava.
A partir daí, deixou a maconha, a cocaína e, posteriormente, o cigarro. “Digo que sou um milagre, um milagre de Deus. Depois de perder a namorada para esse mundo das drogas, de ver vários amigos morrerem, meu mundo parou. O amor me salvou”, completou.
