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Faxineiro de cinema vira morador do prédio histórico

Oscarino da Vitória trabalhou no antigo Cine Santa Cecília na década de 50. Agora, aos 87 anos, mora lá com outras 34 famílias

O casal Eralda Lopes, 74, e Oscarino da Vítória, 87, celebra a conquista de ter um imóvel próprio no Centro

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No ano de 1955, Oscarino da Vitória, 87, começava a trabalhar como faxineiro no Cine Santa Cecília, no centro de Vitória. Mas o que poderia ser apenas um local de trabalho se torna, 67 anos depois, o seu lar.

“Depois de tantos anos esperando, finalmente conseguimos nossa casa própria”. Com entusiasmo, o casal de aposentados Oscarino e Eralda Lopes, 74, que se mudou no dia 28 de maio deste ano para o mesmo prédio do antigo cinema, celebra a conquista de ter um imóvel totalmente deles, no mesmo edifício que ele trabalhava, na década de 1950, como faxineiro.

O aposentado conta como começou a trabalhar no estabelecimento. “Eu fui indicado para o trabalho no cinema por um amigo próximo, na época. Vim para cá, a trabalho, um pouco antes de me aposentar como auxiliar de serviços gerais. Eu varria o cinema”, diz.

Contudo, ele relata que nunca se viu morando no mesmo prédio do um antigo trabalho. “Foi uma coincidência! Nunca imaginei que moraria aqui, em frente ao Parque Moscoso. Já trabalhei nesse edifício e em um outro aqui na frente.  

Antes de se mudar para a nova residência, o casal conta que viveu em mais de sete casas entre o Morro do Quadro, Centro, Santa Tereza e Fonte Grande. Todos em zona de risco ambiental e com pouca acessibilidade, em especial, para pessoas idosas.

Para  Eralda, a nova casa é um sonho realizado. “Sair do aluguel está sendo maravilhoso. Ter a nossa casa é um sonho realizado, um lugar para chamar de nosso. Só consigo agradecer a Deus por esse presente”, conta, emocionada.   

O benefício  faz parte de um programa da Prefeitura de Vitória  que concede residência a moradores de zonas de risco ou  interesse ambiental da capital.

O prefeito Lorenzo Pazolini explica o objetivo do programa. “Esse projeto  busca resgatar a dignidade dessas famílias que vivem em áreas de risco”. 

De acordo com Pazolini, até o momento, mais de 120 famílias foram contempladas com o benefício da casa própria. “Em Santa Cecília, entregamos 35 apartamentos. Em consolação, 48. Mas o programa de assistência  já funciona há ano e meio. Já entregamos 126 imóveis, entre casas e apartamentos, para moradores de bairros de risco de Vitória”, informa.

Além dos imóveis entregues, outra ação promovida pela prefeitura é a entrega de escrituras públicas à pessoas que possuem apenas a posse das casas em que moram. Ao todo, já foram 2.119 documentações. 

 “Sensação inexplicável” Oscarino da vitória, aposentado

– A tribuna: Antes da mudança, moraram em quais locais?

Oscarino da Vitória: Antes de mudarmos para cá, moramos em muitos lugares!  Bairro Santa Tereza, Fonte Grande, Centro e Morro do Quadro. Foram mais de sete casas diferentes.

– Existia a expectativa de terem a própria casa? 

Sim, nós sempre quisemos isso. Viver de aluguel é muito difícil. Quando conseguimos o aluguel social da prefeitura, já havia uma expectativa de ganharmos uma casa, futuramente. Ficamos anos esperando por esse momento.  

– Vocês recebiam o aluguel social. Como funciona?

Por causa dos riscos da nossa casa, a prefeitura concedeu um valor para procurarmos um lugar para alugar, com o aluguel social. A gente recebia, por meio do Programa Terra, e escolhíamos um lugar para morar dentro do valor concedido.

– Quando se mudaram para cá?

Nós recebemos a chave no princípio de maio, mas a mudança só foi anunciada no dia 27 de maio. Um dia depois de receber a  notícia, já viemos para cá.

– A documentação já está toda pronta? 

Sim! Todos os documentos já foram entregues, junto com a chave no início de maio. Tudo já está certo, agora é só organizar a casa.

– Qual a sensação de finalmente ter a própria casa?

É inexplicável! Depois de tanta luta e mudanças de casa, temos a nossa própria para viver. Era muito difícil, porque no lugar que a gente vivia tinha que subir o morro, tinham muitas dificuldades. 

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