De janeiro de 2013 a abril de 2019, foram feitos 5.069 boletins de desaparecimentos investigados pela Delegacia de Pessoas Desaparecidas (DPD), em Vitória. O número equivale a uma pessoa desaparecida a cada 12 horas.
A taxa de localização dessas pessoas é de 87%. Os números se referem a registros oficiais feitos por meio de Boletins de Ocorrência nas delegacias de Vitória, Vila Velha, Cariacica, Serra e Viana.
O maior número de desaparecimentos registrados é de homens acima de 18 anos. De janeiro a abril deste ano, por exemplo, foram 109 casos. No mesmo período, 27 mulheres desapareceram. O total de adolescentes (de 12 a 18 anos) na mesma situação, nos primeiros quatro meses do ano, é de 63. Já o de crianças, sete.
A reportagem completa sobre caçadores de desaparecidos que já acharam 4.410 pessoas você confere no jornal A Tribuna desta segunda-feira (20).
Filha encontra mãe no Estado após 22 anos de separação
A agonia da empregada doméstica Naiara dos Santos Costa, em viver 22 anos longe da mãe está perto de acabar. As duas foram separadas na Bahia, quando a jovem tinha apenas 1 ano. Hoje, morando em Mato Grosso do Sul, Naiara, conta que nunca desistiu de encontrar a dona de casa Madalena Pinheiro Leal dos Santos, de 42 anos.
Na última segunda-feira, com o intermédio do investigador Ricardo Moura, da Delegacia de Pessoas Desaparecidas (DPD), em Vitória, Naiara conseguiu.
“Acessei uma página de desaparecidos do Espírito Santo, pois tive informação de que minha mãe poderia estar aí. Liguei para a delegacia. Só tinha o nome dela. Logo depois, o policial a encontrou.”
Na casa simples, de paredes amarelas e janelas verdes, na zona rural de Viana, Madalena foi surpreendida por uma ligação da polícia com a informação de onde estava sua filha.
“Foi motivo de muita alegria no meu coração”, disse a dona de casa.
Ela contou que nunca perdeu a esperança de localizar a filha. Quando se separou do ex-marido, Madalena tentou levar a criança, mas teria sido impedida. “Me senti muito mal. Qual é a mãe que não se sentiria mal? Mas eu tinha medo. Ele não queria que eu ficasse com a menina.”
Madalena chegou a voltar à Bahia à procura de Naiara, quando ela ainda era criança, mas não a encontrou.
Já Naiara soube, depois, que a mãe a procurou. “Não sei se me escondiam dela ou se foi o destino mesmo que nos separou. Minha angústia esses anos foi por não saber como era o rosto dela”, desabafou.
Na tarde de sexta-feira, A Tribuna mostrou a foto de Madalena a Naiara, por uma transmissão de vídeo ao vivo. A jovem se emocionou.
“Gente, estou muito feliz e ansiosa para vê-la. É uma sensação que não sei explicar. Muito obrigada, mesmo, por isso (ver mãe pela primeira vez).”
A duas não sabem quando vão se encontrar, pois ainda não têm condições financeiras para comprar as passagens.
