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DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

“Ganhar um novo coração foi o meu melhor presente”, diz aposentado

Benjaniro Batista passou por transplante e agora quer curtir a vida com amigos e familiares. Para ele, será um Natal especial

Benjaniro, de 59 anos, recebeu novo coração em outubro: há 12 anos ele descobriu uma insuficiência cardíaca

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De todos os presentes adiantados que o motorista aposentado Benjaniro Batista, de 59 anos, poderia ganhar no Natal deste ano, o transplante de um coração foi o mais especial. Já em estágio terminal de uma doença cardíaca, em outubro, ele conquistou uma nova chance de vida. 

“Ganhar um novo coração foi o meu melhor presente. Vivi um milagre. Estou tendo mais uma chance para viver ao lado das pessoas que amo”, contou Benjaniro, que é morador do distrito de Itaoca, em Itapemirim, no Sul do Estado.

A história de superação do aposentado começou há 12 anos, quando Benjaniro Batista descobriu, após sentir fortes dores, que enfrentava uma insuficiência cardíaca chagásica (condição derivada da doença de Chagas e que dificulta o bombamento do sangue para o corpo).  

“Houve um período em que eu mal conseguia ajudar nas tarefas de casa, pois ficava extremamente cansado. Comecei a sentir todo o meu corpo inchar, além dos rins e do fígado”, relembra o motorista.

A partir dali, Benjaniro precisou mudar radicalmente de vida. Por orientação médica, deixou de comer as coisas que mais gostava; se isolou mais em casa; e deixou de fazer as tradicionais caminhadas, já que não conseguia se exercitar.  

Porém, embora a situação parecesse controlada, o quadro de saúde piorou no início de 2021. Além do intenso cansaço do qual sofria, Benjaniro passou a ter dificuldades para andar, respirar e  falar.

Foi aí então que a família do aposentado iniciou a saga para colocá-lo na fila do transplante. 

“Era horrível me ver morrendo a cada dia que passava. Em uma das vezes que fui parar no hospital, pensei que não voltaria a ver meus filhos e minha mulher”, afirma.

Internado desde setembro à espera do “sim” de alguma família desconhecida, ele conquistou a tão sonhada doação do órgão pelo Hospital Evangélico de Vila Velha, no dia 20 de outubro, quando já estava em estado crítico de saúde.

“Apesar de não saber o que fazer nos piores momentos, chorar muito, eu nunca perdi a esperança. Foi um milagre de Deus”, acredita  a mulher de Benjaniro, a merendeira Áurea Coutinho, de 54 anos.

Agora, enquanto se recupera em casa, Benjaniro já sabe como quer comemorar: junto da família e dos amigos que não vê há muito tempo, por causa da pandemia. 

“Também quero sair viajando com a minha mulher, que me ajudou tanto. Sem ela, acho que não estaria aqui, forte desse jeito”.

Paciente podia morrer sem o transplante, afirma médico

Nos casos graves de insuficiência cardíaca chagásica, como a que o motorista aposentado Benjaniro Batista, de 59 anos, enfrentava há mais de 10 anos, os riscos de não sobreviver são grandes.

É o que garante o cirurgião cardíaco do Hospital Evangélico de Vila Velha, José Silva Henrique, um dos responsáveis por acompanhar o caso do aposentado.

“Se ele não tivesse recebido o órgão, apesar das terapias usadas hoje em dia, poderia, sim, morrer. Não podemos prever quanto tempo o paciente com essa patologia pode sobreviver, mas em questão de horas e dias, tudo pode acontecer”.

O cirurgião cardiovascular Melchior Luiz Lima destaca a importância das pessoas que desejam ser doadoras informarem, o quanto antes, essa vontade para os familiares. Em setembro, cinco pacientes aguardavam por um coração.

“Muitos não aceitam a doação por acreditarem que o ente querido conseguirá se recuperar, embora já esteja até com morte cerebral. Mas ele poderia ajudar, no mínimo, oito pessoas que dependem da doação para ter uma melhor qualidade de vida”, explicou.


ENTREVISTA – BENJANIRO BATISTA


A Tribuna – Como descobriu que estava doente?

Benjaniro Batista –  Foi durante o trabalho. Passei a me sentir muito mal quando levantava peso ou fazia qualquer esforço excessivo. Resolvi procurar o médico e, há 12 anos, recebi o diagnóstico de doença de Chagas.

Quais eram os principais sintomas?

Eu sentia muita dor no estômago, falta de ar, cansaço e inchaço nos pés e no fígado. À medida que o tempo foi passando, aquilo foi atacando mais. Houve um período em que eu mal conseguia ajudar nas tarefas de casa, pois ficava extremamente cansado.

Neste ano, as coisas pioraram. Não conseguia dormir direito, porque doía me virar na cama. Tinha até dificuldade para tomar banho, por exemplo. Cheguei no meu limite.

Antes da cirurgia, em vez de bater, meu coração só tremia, de tão fraco que estava. Vivi um verdadeiro milagre. 

O que mudou na sua vida após o diagnóstico?

Deixei de fazer tudo que eu mais gostava. Parei de trabalhar e de correr, porque não conseguia fazer qualquer exercício físico. Não ficava fazendo nada dentro de casa. 

Como se sentiu quando soube que havia conseguido um coração novo?

Foi uma mistura de emoções. Embora eu tivesse esperanças de que tudo daria certo, já estava me sentindo sem forças. Pensei em pedir para ir embora e desistir do tratamento várias vezes. Mas, quando eu soube, fiquei muito feliz. Foi o maior presente que eu poderia ganhar. 

E os planos para o futuro?

Quero reencontrar todos os amigos e familiares que não pude ver ainda, por causa da pandemia. Também quero sair viajando com a minha mulher, que me ajudou tanto nesse período. Sem ela, acho que não estaria aqui mais.

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