Com uma boa conversa e aparentando conhecimento e experiência no ramo de reformas, marcenaria e serralheria, um golpista deu prejuízos que somam mais de R$ 1 milhão a vítimas no Estado. Pelo menos 10 pessoas teriam fechado “serviços” prometidos pelo golpista de 52 anos. No entanto, em janeiro, ele sumiu, sem entregar o que foi combinado.
Segundo as vítimas, o golpista usava as redes sociais para divulgar sua empresa e captar clientes. Na página, imagens de “serviços” que teriam sido realizados por ele chamavam a atenção.
Uma das vítimas, um aposentado de 70 anos, contou que o golpista teria atuado entre agosto do ano passado e janeiro deste ano. “Ele tinha um bom papo. Falava das obras que estava entregando, mostrava imagens. Eu cheguei a visitar uma das obras, pois queria ver o trabalho. Ele mostrou, conversamos e fechei um serviço para uma escada. Fiz um depósito de R$ 5 mil”, relatou.
Segundo o aposentado, no entanto, em janeiro, o homem parou de responder às mensagens e ligações. “Depois, o telefone nem recebia mais. Foi quando resolvi ir até a obra que visitei e várias pessoas estavam sentadas na calçada”. Ele revelou que os funcionários não foram pagos e outras vítimas também tinham ido procurar pelo homem, sem sucesso.
Ao perceberem que se tratava de um golpe, as vítimas começaram a se reunir e conversar em um grupo de aplicativo de mensagens, com, pelo menos, 10 pessoas. Lá, eles passaram a reunir informações que tinham sobre o homem. Nem todas, no entanto, registraram ocorrência na Polícia Civil. “Pelo que sabemos, ao menos quatro pessoas já buscaram a Polícia. Também soubemos que ele pratica golpes há anos, inclusive em outros estados”.
Entre as vítimas, uma revelou ter feito um depósito no valor de R$ 100 mil ao golpista. Uma outra pessoa, de R$ 60 mil. Uma terceira vítima contou que, somente no grupo, os prejuízos somam mais de R$ 700 mil, mas eles acreditam que os golpes cheguem a R$ 1 milhão, pois sabem que outras pessoas caíram no mesmo golpe.
“Sumiu de uma hora para outra”
Em meio à obra de construção de sua casa, um aposentado de 70 anos encontrou nas redes sociais uma empresa que prometia o serviço que precisava. Mas, mesmo com os cuidados que achou necessários, não conseguiu evitar cair nas mãos de um golpista.
A Tribuna – Como conheceu a empresa do golpista?
Aposentado – Ele divulgava seu trabalho nas redes sociais e outros sites. E fazia isso bem, pois o que ele anunciava era muito atrativo. Falava que era especializado em reformas, marcenaria e carpintaria. Como estou construindo uma casa, eu precisava de estruturas metálicas, como de escada, portão. Ele, como todo estelionatário, era muito convincente, falava muito bem, uma pessoa agradável. Demonstrava ter experiência e conhecimento do que estava apresentando.
Logo fechou o negócio?
Não. Sou uma pessoa experiente. Então, apesar da insistência dele, eu falei que queria vê-lo atuando, um serviço dele. Então, eu fui até uma obra na Grande Vitória onde ele estava fazendo um serviço maior.
A obra existia de verdade?
Sim. A obra foi iniciada. Ele pegou como um escudo para apresentar, mas nunca concluiu. A pessoa também teve um prejuízo grande. Mas eu fui lá e vi o que precisava e fiz um depósito inicial de R$ 5.000.
Quando descobriu que se tratava de um golpe?
Quando começou a chegar a fase da obra, que estava pronta para receber o portão, por exemplo, eu mandava mensagem e ele não respondia ou atendia. Depois, as mensagens nem iam mais. Então, vi que tinha algo errado. Peguei o carro e fui até a obra que visitei. Quando cheguei ao local, estranhei, pois tinha um monte de gente do lado de fora, sentada na calçada. Alguém me perguntou se eu também tinha sido vítima. Ele não chegou a pagar nem os funcionários. Deixou tudo e sumiu de uma hora para outra.
E depois?
Depois, começamos a descobrir outras pessoas que foram vítimas, pois também iam até lá. Formamos um grupo no WhatsApp e descobrimos uma série de coisas.
Como o quê?
Que ele já faz vítimas há anos, em vários estados. Tem mandado de prisão em aberto. O CNPJ da empresa está ativo ainda e chegou a ser visto em outros municípios do Estado, como Santa Teresa e Domingos Martins. Algumas pessoas registraram ocorrência na Polícia Civil, pelo menos quatro, pelo que sei. O meu prejuízo não foi tão grande, mas tiveram pessoas que perderam muito mais. Calculamos algo próximo de R$ 1 milhão e acreditamos que ainda há pessoas que foram vítimas e que ainda não perceberam que ele desapareceu.
O que buscam agora?
Queremos recuperar não só os prejuízos, mas queremos impedir que ele faça novas vítimas. Ele precisa parar. Só não caí em um golpe maior, pois fui cauteloso. Meu negócio com ele era de mais de R$ 20.000, mas depositei um valor de R$ 5.000.