Um protesto na frente do 10º Batalhão da Polícia Militar de Guarapari reuniu mulheres do Coletivo Feminista, que pediam pelo fim da violência contra a mulher.
As manifestantes questionam o vídeo em que militares aparecem desferindo socos e chutes em uma mulher, durante abordagem policial. Os dois policiais foram afastados das ruas nesta quarta-feira.
A advogada Rosania Maria da Silva Soares, militante do Coletivo Feminista Mulheres que Lutam declara que atuação dos policiais foi errada.
“Foi uma violência policial contra uma mulher preta, pobre, e periférica, em estado de vulnerabilidade psicológica, com justificativa de conter o surto psicótico. O policial desferiu socos, tapas, joelhadas, jogou no chão, em uma atitude não condizente com a ação que deveria ser de um policial. Uma mulher rica não teria sido abordada da mesma maneira”, declarou ela.
Outra manifestante, Elisa O’Neill, declara que a justifica dos militares não justifica tamanha agressão.
“Era uma mulher, dois homens muito maiores que ela, empregando uma violência desproporcional. Eles alegaram legitima defesa, o que não cabe justamente por essa desproporcionalidade. Nossa reivindicação aqui é contra a violência policial. Nesse caso foi pontual, porque foi um caso filmado, mas isso acontece todos os dias e fora dos holofotes”, disse Elisa.
Durante o protesto, as mulheres ainda gritaram ‘pelo fim da Polícia Militar’ por acreditarem que a instituição não oferece um trabalho de segurança pública efetiva e de qualidade.
“A instituição está contaminada pelo racismo, pelo machismo estrutural, e todos os dias é retroalimentada pela política do nós contra ele. Acreditamos que a desmilitarização da polícia contribuirá para uma segurança pública efetiva e de qualidade”, completa Rosania.
O tenente-coronel Caus, comandante da PM em Guarapari, declarou que a manifestação é um direito das mulheres, e esclarece que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas.
“A gente respeita, e é natural. O Batalhão está de portas abertas para receber o grupo, assim como fez com a imprensa, e prestar todos os esclarecimentos. Abrimos um Inquérito Policial Militar, e temos um prazo de 40 dias para concluir. A conclusão também será divulgada”, explicou o comandante.
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