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Depois que o pai da professora Teresa Cristina Ricci, de 42 anos, foi diagnosticado com um câncer cerebral muito agressivo, o marido dela, o autônomo Luiz Antônio Volponi, 41, decidiu fazer uma promessa: com a cura do senhor Sebastião Serafim Ricci, conhecido como Tatão, eles viajariam de moto até Aparecida, em São Paulo, para agradecer.
Assim, foi montada a primeira motorromaria saindo do Santuário Nacional de São José de Anchieta, no litoral Sul capixaba, até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo. São 700 quilômetros de distância e os motociclistas gastam cerca de 12 horas de viagem.
“Essa motorromaria começou com uma promessa, porque meu sogro estava internado no hospital, acamado, doente. Eu fiz a promessa que o levaria junto, de moto, para Aparecida se ele alcançasse a cura. A princípio, seriam somente quatro motos, na primeira edição, que foi ano passado, mas um amigo jogou na internet e foram 19 motos”, conta Luiz Antônio.
Apesar de Tatão acabar morrendo, aos 65 anos de idade, seis meses após descobrir o tumor, o plano da motorromaria foi mantido. “O câncer foi muito agressivo. Ele tinha falado que, se ficasse curado, iria na garupa da moto”, relata a filha Teresa Cristina.
“Uma vez, fomos visitar papai e ele saiu da UTI no momento em que chegamos lá. Me arrepio toda vez que conto isso. A fé traz muitas vitórias. E, mesmo com a morte dele, resolvemos fazer a motorromaria, porque acreditamos que ele ficou vivo enquanto Deus permitiu”, completa.
Neste ano, os romeiros saíram de Anchieta na última sexta-feira, e estão voltando hoje de São Paulo. “Todo mundo vai com uma história de fé e de agradecimento. Isso nos faz muito bem”, comenta Luiz Antônio.
Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o funcionário público Marquinhos Tei, 42, tem uma tatuagem do Santuário Nacional da padroeira no peito. Para ele, poder agradecer pela vida já é uma dádiva.
“Toda vez que vou à Aparecida, eu atravesso a passarela de joelhos. A gente faz para agradecer o dom da vida, pela família, pelo emprego que a gente tem, por poder acordar e ter um lar. Eu faço somente para agradecer, nada para pedir. A gente tem tanta dádiva na vida, tantos amigos bons”, completa o devoto.