
Com a condenação, que saiu nesta semana, o hospital terá de pagar R$ 15 mil de indenização – R$ 10 mil para a mulher e R$ 5 mil para o homem.
O diagnóstico equivocado foi entregue em 2015, quando a moradora da Grande Vitória foi realizar um exame de rotina durante o pré-natal, no hospital onde ela fazia o acompanhamento. O sangue foi colhido em um laboratório localizado dentro da própria instituição.
“Minha esposa tem o costume de ler o resultado antes de mostrar para o médico. Então, ela abriu assim que pegou e viu que era soropositivo. Ela ficou desesperada e chorou muito”, contou o marido, pedindo para que o casal não fosse identificado.
A angústia após descobrir que estava com Aids ainda durou mais alguns dias, já que nem o hospital e nem o laboratório orientaram para a realização de outro exame, segundo marido. “Fizemos outro de teimosos”, comentou.
Antes do novo exame, no entanto, o casal chegou a discutir, já que a mulher acreditava ser sido infectada pelo marido. O alívio só veio após a procura de um novo laboratório: o resultado deu negativo para o vírus HIV.
O erro aconteceu no sistema on-line do hospital. O resultado saiu do laboratório como “negativo”, mas, por alguma falha, que não foi explicada, ele mudou para positivo antes de chegar às mãos da grávida.
Com isso, a Justiça considerou a falha na prestação do serviço como dano moral, de acordo com o desembargador substituto do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, (TJ-ES), Raimundo Siqueira Ribeiro.
“Questionamentos, as dúvidas e incertezas, surgidos com um resultado soropositivo, num casal com gestação em curso e já em estado avançado, são evidentes, e transbordam o mero aborrecimento, causando angústias sérias e profundas”, afirmou Siqueira.
“Brigamos e tivemos muito estresse”, diz marido
Foram três dias de tristeza e angústia para um casal da Grande Vitória desde que o exame feito em um laboratório dentro de um hospital de Vila Velha apontou positivo para o vírus HIV. Mesmo sem orientação do hospital, segundo afirmou o marido para a reportagem de A Tribuna, o casal resolveu fazer outro exame.
Antes do novo resultado, no entanto, a mulher ficou abalada psicologicamente e precisou se afastar do trabalho.
A Tribuna – Por que sua mulher fez o exame?
Marido – Foi a própria médica que fazia o acompanhamento do pré-natal que pediu. Minha esposa estava entre seis e sete meses de gravidez na época. Ela ainda não tinha feito nenhum exame de HIV e fez ali mesmo, no laboratório que fica dentro do hospital.
Quando vocês receberam o resultado?
Alguns dias depois. Ela foi buscar o exame, e como tem o costume de olhar o resultado antes de mostrar ao médico, abriu na mesma hora, sem achar que poderia ter algum problema.
E qual foi a reação dela na hora?
Ela chorou muito e me ligou desesperada. Como ela tinha certeza que não havia feito nada de errado, achou que a culpa havia sido minha, ou seja, que eu a havia infectado. Nós brigamos e tivemos muito estresse por conta dessa situação.
Vocês não desconfiaram que o exame pudesse ter dado errado?
Achamos, de fato, que ela estava com a doença. Ficamos assustados e tentando pensar o que poderia ter causado isso. Não tivemos orientação nenhuma do hospital para fazer outro exame, mas, mesmo assim, fizemos outro de teimosos.
Onde vocês fizeram o outro exame?
No dia seguinte, ela voltou ao pronto-socorro, mas só fomos descobrir o erro do diagnóstico bem depois. A médica do hospital que pediu o primeiro exame chegou a brigar com os funcionários do laboratório.
A nossa preocupação e a angústia levaram mais uns três dias, já que o resultado do novo exame que ela fez não saiu na hora.
Qual foi a sensação de vocês com o novo resultado?
Foi de alívio. Só nos acalmamos e ficamos despreocupados quando esse novo resultado saiu.