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Cidades

Idosos vivem um dia como atores em Vitória

Moradores do Asilo dos Idosos de Vitória tiveram uma tarde cheia de diversão e emoção durante oficina de teatro

Idosos se empolgaram com a aula de teatro no asilo, que teve também exercícios de relaxamento e improvisação
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização


Moradores do Asilo dos Idosos de Vitória tiveram uma tarde de risos, emoção e improviso ontem. Vinte idosos participaram de uma aula de teatro promovida pela Oficina de Atores Abel Santana, conduzida pelo diretor Abel Santana e pela atriz Lina Carneiro.

Com exercícios de relaxamento, improvisação e uso de adereços, os idosos se transformaram em verdadeiros intérpretes, explorando memórias, criatividade e gestos.

“Nosso objetivo é oferecer, além de entretenimento, uma atividade lúdica que estimule memória, criatividade e socialização. Até encontramos uma ex-atriz que já contracenou com grandes nomes do teatro brasileiro”, contou Abel Santana.

Para Abel, a experiência tem sido transformadora. “Eu vim com o objetivo de ensinar, mas recebi muito mais: carinho, afeto e energia. Precisei adaptar as aulas, porque muitos têm dificuldade de locomoção, mas eles embarcaram completamente. É incrível ver a mente funcionando, as ideias vivas, a vontade de interpretar.”

A assistente social do asilo, Nirelza Dias, se surpreendeu com o resultado. “Eles encararam a improvisação como algo muito sério. Vimos que nada os impede de participar, mesmo com limitações físicas ou de fala. Eles gesticulam, olham, criam. Descobrimos que são capazes de tudo.”

A atriz Lina Carneiro também se emocionou. “Na primeira aula fiz uma cena com o seu Sebastião. Ele criou um ‘castigo’ para mim, misturando coisas de sua vivência, falou até de Instagram. Olhei para o Abel e pensei: ‘como assim?’ Eles estão com a mente viva, atentos a tudo. Foi muito além da nossa expectativa”, disse.

“O projeto mostra que, no palco da vida, nunca é tarde para assumir um personagem e redescobrir a alegria de se expressar”.

A cada encontro, os comentários e a expectativa crescem entre os participantes. A oficina de ontem foi a terceira do projeto, que acontece uma vez por semana. A primeira foi no dia 3 deste mês.

A atividade integra a contrapartida social do projeto “A Escola Vai ao Teatro”, realizado pela Secretaria de Estado da Cultura com patrocínio do Grupo Águia Branca.

Cenas da oficina de teatro

Momento de improviso


Durante um exercício de improviso, Ana Vilma Siqueira dos Santos, de 66 anos, que é moradora do asilo, e Wedila Cristina da Silva Silveira, de 49 anos, cuidadora educacional da instituição, viveram uma cena de discussão entre amigas.

Na trama, Ana estava pronta para ir a uma festa de Natal, mas não chamou Wedila. “Você tinha que ter me convidado!”, reagiu Wedila. Entre risadas e emoção, o embate teatral arrancou aplausos dos demais participantes e do diretor Abel Santana.

Memórias de estrela

Aos 86 anos, Cleide Moraes reviveu seu passado artístico. Ex-atriz que já participou de programas na TV Tupi, peças no Teatro de Arena, em São Paulo, e até de um filme com Mazzaropi, ela se emocionou ao improvisar.

“Isso liberta as pessoas. Teatro é muito bom. Eu teria sido uma boa atriz, mas a vida me levou por outros caminhos. Senti saudade, vontade de continuar. Eu teria sido uma boa atriz”, afirmou.

Diversão

“Alegria imensa”

Com 94 anos, Jolcelia Alves não perdeu o entusiasmo pela arte. Ao lembrar da juventude, recordou de uma amiga: a professora Dona Julieta, que era atriz. Ao final das peças, ela conta que subia junto com a amiga no palco.

“A oficina está maravilhosa, adoro essas coisas. Quando era jovem me divertia muito com uma amiga que era atriz. Estar aqui me faz reviver aquele tempo, é uma alegria imensa”, afirmou com brilho nos olhos.

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