Com a morte de Pedro Paulo Alves, de 55 anos, que foi atropelado por um ônibus, na Ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes), em Vitória, na tarde de domingo, sobe para 30 o número de ciclistas que perderam a vida em acidentes de trânsito no Estado este ano.
Além disso, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), outros 1.078 ciclistas se envolveram em acidentes neste mesmo período.

“Hoje, além da insegurança com assaltos, nós temos a insegurança no trânsito que é o nosso maior desafio. A maioria das pessoas acaba faltando com respeito. Só que esse ‘desrespeito’ pode causar a morte de um de nós”, disse o líder do Pedal de Advento e diretor da Federação de Ciclismo do Espírito Santo, Luciano Gonçalves.
“Ali onde ele perdeu a vida é o corredor da morte. A maioria dos motoristas não nos respeita. Acredito que, se os motoristas tivessem mais consciência, talvez meu amigo estaria aqui hoje”, disse.
Para Josias Domingos Valiati, 71 anos, amigo do Pepê e ciclista há mais de 30 anos, é necessário um pouco mais de empatia e respeito com os ciclistas nas avenidas da Grande Vitória, principalmente no local onde o companheiro de esporte perdeu a vida.
Os dados da Secretaria de Segurança Pública revelaram ainda que em 2019, foram 42 óbitos e 1.237 ciclistas acidentados.
Motorista
A empresa responsável pelo ônibus, por meio de nota, lamentou o ocorrido. “Segundo o motorista, o ciclista pedalava na pista destinada aos veículos automotores quando se desequilibrou, caiu debaixo do ônibus e veio a óbito”, informou a empresa, em comunicado:
“No local, há uma calçada compartilhada para pedestres e bicicletas. Informações preliminares dão conta de que o ciclista ainda usava fones de ouvido – o que pode ter causado distração – e uma sapatilha que teria impulsionado a queda. O boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil.”
Homenagens durante enterro
O enterro do ciclista Pedro Paulo Alves, de 55 anos, que morreu após ser atropelado por um ônibus na tarde de domingo, foi marcado por emoções e homenagens de aproximadamente 60 ciclistas, que pedalavam com a vítima.
Eles saíram de bicicleta da Praça do Ciclista, em Itaparica, Vila Velha, e foram até o cemitério Parque da Paz, em Ponta da Fruta, no mesmo município, onde Pedro foi enterrado na da tarde de ontem.
Durante o trajeto foi feito um corredor de bikes, montado pelos amigos ciclistas que aplaudiam a passagem do caixão.
“Ele era um companheiro para todas as horas e tinha um conhecimento enorme de rota. A maior lembrança que vou levar dele é o companheirismo. Era um amigo a qualquer hora”, contou o ciclista Josias Domingos, 71 anos, que era amigo de Pedro há 30 anos.
Amigo há sete anos do ciclista, Ruiter Werly, de 52 anos, também falou do companheiro. “Uma pessoa ímpar, um amigo de verdade que sempre ajudava a todos”.
Abalados, companheiros de pedal da vítima disseram não acreditar que ele estaria com o fone de ouvido no momento do acidente.
Eles também acreditam que faltou paciência por parte do motorista. “A gente não acredita que ele estava de fone. Ele era uma pessoa muito correta quando pedalava e colocando o fone, ele saberia que seria algo que poderia atrapalhar sua atenção”, disse o amigo e também ciclista Luciano Gonçalves.
Cunhado da vítima, Iram Marcos Guedes, 49 anos, revelou que o ciclista sempre passava pela via, pois tinha medo de ser assaltado na passarela. Ele inclusive lembrou do caso de um latrocínio que aconteceu na mesma ponte, em 2019.
“As pessoas estão dizendo que ele deveria passar na passarela, mas quem é que passa em um lugar que já teve até roubo seguido de morte? Meu cunhado era amigo do Renato (ciclista morto em assalto, no ano de 2019, no mesmo local) e sabia dos riscos passando por ali, por isso passou em baixo”, afirmou Iram.
Grupos registram três assaltos por semana
Pelo menos três assaltos por semana são registrados por ciclistas, em grupos de conversa nas redes sociais, na Grande Vitória.
De acordo com o diretor de Cicloturismo da Federação de Ciclismo do Espírito Santo, Luciano Gonçalves, os números podem ser ainda maiores.
“Essa é a média baseando nos grupos à qual faço parte, mas existem vários outros grupos. Esse número deve ser bem maior. Das cidades onde mais acontecem estão Vila Velha e Vitória”, disse o diretor Federação de Ciclismo.
Luciano Gonçalves também reclamou da insegurança no local, na Ponte Florentino Avidos, em Vitória, onde o amigo, o também ciclista Pedro Paulo Alves, de 55 anos, morreu após ser atropelado por um ônibus na tarde do último domingo.
Investigação
A Polícia Civil informou que está investigando o acidente que vitimou o ciclista Pedro Paulo Alves, de 55 anos. O caso segue sob os cuidados da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT), que está realizando diligências e oitivas de testemunhas.
Em nota, a polícia explicou também que o condutor do ônibus não foi preso devido ao que está previsto no Código de Trânsito Brasileiro, que diz que quando o condutor presta socorro à vítima, não se pode aplicar uma prisão em flagrante. Ele prestou esclarecimentos na delegacia e foi liberado.
Depoimentos
“Corredor da morte”

Os motoristas sempre passam quase que encostando na gente. É lamentável. E a perda do meu amigo é irreparável, pois ele é especial e vai fazer muita falta.”
Josias Domingos, amigo da vítima
“Boas lembranças”

Eu não estou julgando, pois acredito que ninguém quer tirar a vida de ninguém, mas seguindo aquilo que eu passo todos os dias de bicicleta, acredito que faltou um pouco de paciência.
Agora o que fica do Pepê são as boas lembranças. De fato, a insegurança nas vias é a nossa maior dificuldade.”
Luciano Gonçalves, amigo e líder do Pedal de Advento
“Pessoa incrível”

Pedro Paulo se transformou em um mecânico de bicicletas, se especializou para ajudar todos os amigos durante as trilhas que muitos faziam com ele. Pedalar era a vida dele e Pedro Paulo morreu fazendo o que mais gostava.
Só penso que o acidente que causou a morte dele é algo que precisa ser apurado melhor, para saber se houve culpa de alguém.”
Ruiter Werly, amigo da vítima

