O Espírito Santo já está registrando a falta de determinados modelos de bicicletas nas lojas, em meio à pandemia da Covid-19. Há um “boom” no setor, sentido sobretudo nos últimos dois meses.
O vice-presidente do segmento de bicicletas da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, Cyro Gazola, disse que a aceleração na demanda aconteceu em junho e julho.
“No contexto da Covid-19, a bicicleta é um deslocamento seguro e saudável. Além disso, com academias e parques fechados, ficou a grande alternativa de prática de esportes no momento”, disse Gazola, projetando um aumento de 30% na procura.
Com a alta demanda, veio a falta de produto no mercado. E a explicação está bem longe daqui: “Essa aceleração de demanda acontece no mundo inteiro, pressionando os grandes fornecedores, concentrados na Ásia, o que gera um atraso. Para recuperar essa demanda, precisamos de uns seis a oito meses.
Os freios e cabeamentos vêm de grandes fornecedores globais, por exemplo.
O proprietário da Vitória Pedal, na Praia do Canto, Fernando Gorza, conta que o crescimento da procura nos últimos dois meses foi de mais de 50%.
“Estabilizou agora só porque não está havendo reposição. Tanto a linha básica, quanto a linha de performance registraram essa alta procura. Para se ter uma ideia, está vendendo mais bicicleta infantil agora que no Natal. E bicicleta já cria o distanciamento natural e a higiene mental no percurso.”
Em Novo México, Vila Velha, a Celeiro Bike Shop, do empresário Murilo Carvalho, registra a falta de sete modelos em específico, inclusive de montainbike.
“A procura dobrou aqui. Já registramos faltas há cerca de um mês, mas desde o final deste mês já tem modelos esgotados, que devem voltar em setembro. Mas ainda há outros em estoque”, contemporiza.
Funcionários ganham “bikes”
As bicicletas estão tão “na crista da onda” que uma empresa de Viana decidiu comprar bikes para os funcionários que desejarem ir pedalando para o trabalho.
A bicicleta vai ficar 18 meses em formato de comodato com os funcionários da Perfil Alumínios. Depois disso, ela será dada de presente ao colaborador.
“Já compramos 52 bicicletas até agora, que é o número de funcionários que desejaram participar do projeto. Mas já temos uma lista nova sendo preparada”, conta Tiago Trindade, gerente de RH.
O projeto tem por objetivo incentivar a atividade física e a prática saudável pensando na qualidade de vida do colaborador.
“Temos uma mão de obra que mora próximo à fábrica. Os inscritos no projeto precisam seguir algumas regras como morar até 10 km da empresa e passar do período de experiência, por exemplo.
Insegurança e falta de ciclovias
Há insegurança para ciclistas em Vila Velha e falta de ciclovias em Cariacica. Essa é a análise do cicloativista capixaba Fernando Braga, um dos fundadores da União de Ciclistas do Brasil (UCB).
Em Cariacica, reclama o cicloativista, há falta de malha cicloviária, que precisa ser ampliada. Na cidade, um ciclista morreu atropelado na BR-262 por um caminhão em setembro do ano passado.

“Os carros ficam estacionados em cima das ciclovias. Fora que aquela ciclovia liga nada a lugar nenhum”, reclama.
A ciclovia da rodovia Darly Santos, prossegue Braga, “está entregue às traças”.
“Há um problema de conectividade de ciclovias em Vila Velha. Há nas praias, o cartão postal, mas falta dentro dos bairros. Fora isso, é preciso pensar em melhorar a sinalização, encontrar meios de reduzir velocidade”, diz.
Foi em Vila Velha, entre os bairros Rio Marinho e Vale Encantado, que uma mulher morreu e outras duas ficaram feridas após serem atropeladas por um carro no último dia 30.
Em abril deste ano, um ciclista de 33 anos foi atropelado na Rodovia Carlos Lindenberg. O motorista teria avançado o semáforo.
Em agosto do ano passado, um ciclista morreu depois de ser atropelado por uma moto, na Rodovia do Sol. Ele tentava atravessar a via quando foi atingido por um motociclista que seguia no sentido Guarapari. Com o impacto da batida, os dois caíram na pista e a moto e a bicicleta foram arremessadas.
Outro lado
Plano de mobilidade
A Prefeitura de Cariacica disse por nota que há cerca de 21 km de ciclovia na cidade e que um plano de mobilidade propõe a construção de 8 km de ciclovias em até 6 anos e 31 km de ciclofaixas nos próximos 3 anos em trechos como a Região de Porto de Santana, Itacibá, Jardim América e Campo Grande.
Já a Prefeitura de Vila Velha informou que possui um plano que prevê a expansão da malha cicloviária em várias regiões, mas não o detalhou, nem citou prazos. Sobre o acidente com morte no último mês, disse que vai melhorar a sinalização em placas e faixas ainda em agosto.

