- Vitória, ES 24°C

Vitória 24°C

Anúncio
CONQUISTA

Jovem que vendia doce ganha bolsa nos EUA para virar doutor

André Lucas Borges, de 21 anos, vai estudar na Universidade do Novo México

André Lucas Borges é de Vila Velha e vai ser o primeiro doutor da família

Última atualização

 













|













Texto Auxiliar:
Alinhamento Texto Auxiliar:
Link Externo:
Alinhar à esquerda:
Alinhar à direita:
Alinhar ao centro:
Fullscreen:
Fullscreen Exit:
Estilo:



 

O jovem capixaba André Lucas Silva Borges, de 21 anos, que chegou a vender doces para estudar, ganhou uma bolsa de estudos para cursar doutorado na área de Ciências Médicas nos Estados Unidos. Ele foi contemplado pela Universidade do Novo México, na cidade de Albuquerque, e será o primeiro doutor da família.

André está no último período de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O caminho para chegar à universidade federal não foi fácil. 

Morador da Ilha dos Aires, em Vila Velha, o jovem é ex-aluno de escola pública e entrou na Ufes pelo sistema de cotas. Para ajudar nos custos ao longo do curso, André vendia palha italiana, com renda destinada para os gastos com alimentação e transporte.

“Eu mesmo preparava o doce e levava para vender na faculdade. Isso garantiu renda extra para que eu pudesse pagar minhas despesas e ir assistir às aulas”, contou.

Além da dificuldade financeira, André relata que também encontrou outras barreiras ao entrar na Ufes. “Logo nos primeiros períodos, eu não estava no mesmo nível de conhecimento de outros alunos, que dominavam alguns conceitos mais básicos”.

Agora, já na reta final da graduação, ele comemora a nova conquista. André foi contemplado após um disputado processo seletivo, com análise de carta de intenção, histórico escolar e entrevista com professores da universidade americana.

“É algo surreal, porque a gente que cresce em um bairro mais humilde, sem muita perspectiva, entra na faculdade e começa a ver que as coisas são possíveis”.

Sobre a escolha pelo curso de Ciências Biológicas, André afirma que sempre teve interesse por disciplinas relacionadas à vida. “Sou apaixonado pela área”.

Tanto ele, quanto os pais, o motorista de ônibus José Lucas Novaes Borges, 61 anos, e a funcionária pública Ângela Maria da Silva, 57, estão ansiosos pela viagem e na expectativa para que tudo dê certo. Ele embarca em agosto.

“Fico sem palavras para descrever tudo que estou sentindo. Tenho certeza que vou aprender muito. Meus pais estão muito orgulhosos e apostam tudo em mim”.


“Vendi palha italiana para estudar”, diz o estudante


A Tribuna – Como foi conquistar a bolsa?

André Lucas Borges – Apesar de ter feito todo o processo e de ter sonhado com isso durante boa parte da minha trajetória acadêmica, não é algo que costuma parecer palpável para pessoas da minha realidade, que vêm de lugares mais humildes, como o bairro onde vivo.

Você enfrentou dificuldades durante a graduação?

Como aluno do ensino público, eu não possuía a mesma base de conhecimento de Biologia que as pessoas da minha turma. 

Dessa forma, tive dificuldades para acompanhar os conteúdos que eram passados, já que eu ainda não sabia a base necessária.

Também passei por algumas dificuldades financeiras, e durante o curso vendi palha italiana para meus colegas e depois de um tempo passei a dar aulas de inglês para conseguir manter alguns custos, já que meu curso era integral e eu passava a maior parte do dia na universidade.

Como está a expectativa para a viagem?

Eu estou muito ansioso e com as melhores expectativas. Espero aprender muito, viver ótimas experiências, conhecer novas culturas e, é claro, me desenvolver muito como pesquisador.

O curso dura entre três e cinco anos. Sendo assim, eu pretendo concluí-lo em quatro anos, para poder aproveitar as matérias da melhor forma possível, extraindo cada detalhe dessa experiência incrível que vou viver. 

Quais são seus planos para quando retornar ao Brasil?

Tentar me inserir dentro da pesquisa nacional e devolver para a sociedade um pouco do que eu aprendi. 

Por gostar muito do ambiente acadêmico, também planejo um dia ser professor universitário, para poder ser parte do processo de desenvolvimento de outros jovens do País.

Como sua família enxerga essa conquista?

Com muito orgulho e esperança, e acho que estão muito mais felizes do que eu mesmo. 

Eles estão apostando tudo em mim e sempre me apoiaram nos estudos, desde a minha infância.

Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.