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CIDADES

Jovens perdem medo da Aids e se contaminam mais

Tratamentos mais eficientes e redução dos efeitos colaterais contribuíram para o aumento dos casos, afirmam especialistas

Antirretroviral usado no tratamento: dados apontam que 52% dos casos são em pessoas entre 20 e 34 anos.

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O fato de a população saber que atualmente o HIV é tratável, a diminuição do medo dos efeitos colaterais causados pela medicação e até o fato de gerações não terem visto as mortes de quando a AIDS surgiu estão entre os fatores apontados por especialistas para que os jovens tenham perdido o medo da doença e se contaminado mais.

O primeiro diagnóstico ocorreu no Brasil em 1982, há 40 anos. Hoje, mais de 920 mil brasileiros convivem com HIV/AIDS. Dados do Ministério da Saúde apontam que  entre 2007 e 2021, 52% dos casos eram em jovens com idades entre 20 e 34 anos.

“Hoje, as pessoas sabem que o HIV é tratável. Diminuiu o medo das pessoas em relação ao tratamento, que  não tem os mesmos efeitos colaterais dos anos 1990. Se a pessoa não viu a doença grave, então ela não tem medo da doença”, afirma o infectologista e coordenador do Comitê de HIV/Aids da  Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), José Valdez Ramalho Madruga.

No Espírito Santo desde 1985, quando foram iniciados os registros de diagnósticos, até o momento, foram contabilizados 20.145 casos de HIV/Aids em adultos, segundo a Secretaria de Saúde.

No Estado, em 2021, houve  predomínio do sexo masculino, com 75,4% do total de 1.171 casos registrados. Ainda no sexo masculino, a faixa etária com maior proporção ocorreu entre jovens de 20 a 29 anos (345 casos com percentual de 39% no total dos casos masculinos).

Segundo a  enfermeira e Referência Técnica em IST/AIDS   de Vitória, Cyntia Gomes, é importante ressaltar que a cada dia  pessoas mais jovens estão sendo diagnosticadas. Principalmente adolescentes acima de 15 anos. 

Ela destaca que o HIV/AIDS ainda é uma doença muito estigmatizada, existe muito preconceito em torno da infecção, o que dificulta muito o diagnóstico e tratamento adequados da doença.

“Precisamos entender que o HIV é um vírus que acomete a toda população e não somente o meio LGBTQIA+. Basta ter uma vida sexual ativa e qualquer descuido na proteção”.

Gerente do Centro de Testagem e Aconselhamento/Serviço de Assistência Especializado  da Serra, Ângelo Eduardo Dias destaca que não tem que se trabalhar com o medo. “É preciso trabalhar com a cultura da prevenção”.

A Saúde da Serra explica que o vírus que contamina é o HIV e, a doença que pode ser desenvolvida, é a AIDS. Hoje, com a maior facilidade de diagnóstico e a melhoria do tratamento, poucos pacientes desenvolvem AIDS.

Luta contra o preconceito e trabalho para conscientizar

Estudante de Serviço Social e representante da Rede nacional de adolescentes e jovens vivendo com HIV/AIDS – Espírito Santo, Isaque Oliveira, de 26 anos, descobriu que tem HIV aos 19 anos e até hoje enfrenta o preconceito.

“Foi no início da minha vida sexual. Eu era preso a uma igreja e, como era uma pessoa muito fechada, comecei a ficar com várias pessoas”, afirmou o jovem.

O universitário conta que foi por meio da Rede que teve apoio para contar para a família. “Descobri que posso viver muitos anos, desde que faça o tratamento direito”.

Ele conta que a pior parte é o preconceito. “O preconceito, tenho de lidar sempre. No início, em casa, separando talheres. Já perdi uns dois ou três empregos. Uma pessoa dizer ‘não’ para um relacionamento”, observa ele, lembrando  da importância da  medicação   de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e o uso de preservativos.

“A nossa Rede é nacional e existem vários representantes em estados e faz acolhimento e adesão de jovens que vivem com HIV. Discutimos políticas públicas e buscamos nossos direitos, como  pessoas vivendo e usuários do SUS. Trabalhamos  com adolescentes e jovens de 15 a 19 anos.”



Saiba mais



Tratamento

Prefeitura de Vitória

Todas as 29 unidades de saúde oferecem testes rápidos para HIV, sífilis, hepatites e exames laboratoriais.  

Além das unidades de saúde, Vitória tem um CTA/SAE (centro de testagem)  no centro de Vitória, próximo ao Parque Moscoso,  onde são realizados também todos os testes rápidos e tratamento e acompanhamento das pessoas vivendo com HIV.

O município tem ainda testagens rápidas no centros de especialidades CRAI e nos CAPS e em casos especiais nos dois prontos atendimentos  municipais.

Todo tratamento do HIV é feito pelo SUS. 

Em Vitória,  uma pessoa diagnosticada com o vírus é encaminhada ao Centro de Referência em IST/AIDS, onde  irá receber o tratamento  com uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, psicólogos, assistentes sociais e outros.

A medicação também é fornecida no local e o retorno às consultas irá depender de cada caso.

Prefeitura da Serra

O Centro de Testagem e Aconselhamento/Serviço de Assistência Especializado (CTA/SAE), em Rosário de Fátima, oferece atendimento multidisciplinar para os moradores.

O serviço é porta aberta, e funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h.

Ambulatório de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP): no CTA/SAE também funciona o Ambulatório de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), uma das melhores estratégias de prevenção à infecção pelo HIV, voltado para as pessoas que tenham maior risco de entrar em contato com o vírus.

O agendamento pode ser tanto presencial quanto pelo 3338-6757. Sempre de segunda a sexta-feira, das 7 às 18 horas.

O município também disponibiliza, nas três UPAs: Carapina, Castelândia e Serra-Sede, a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV, que deve ser iniciada em até 72 horas após a exposição, sendo outro método eficaz de prevenção ao HIV.

Prefeitura de Vila Velha

A Prefeitura de Vila Velha possui  serviço ambulatorial especializado, responsável pela prevenção e assistência integral para as pessoas vivendo com HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis.

 
















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O município informou que coloca à disposição da população as estratégias   para a prevenção da infecção pelo vírus, como a  PrEP e a  PEP.

As unidades de saúde   são capacitadas para realizar os testes rápidos de HIV, sífilis, hepatite B e C e disponibilizam grátis preservativos masculinos e femininos.

Prefeitura de Cariacica

O Centro de Referência em IST/Aids (CR-IST) é responsável pelas ações/atividades do Programa Municipal de IST/AIDS no município  onde funcionam diversos serviços.

Fica na Rua Antônio Leandro da Silva, 135, em Alto Lage, e funciona de segunda a sexta, das 7h às 18h.

Hoje, seguindo os protocolos de segurança devido à pandemia, os serviços funcionam da seguinte forma:

Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA): testagem de HIV, sífilis e hepatites B e C para a população em geral a partir de 15 anos. Funciona de forma agendada, das 7h30 às 14h. Agendamento no: 3346-6524.

Serviço de Atendimento Especializado (SAE) para as pessoas que vivem com HIV: exames de rotina e consultas especializadas e médicas, das 7h às 18h, por agendamento.

Distribuição de medicamento antirretroviral, de infecções oportunistas e IST’s, de segunda a sexta, das 7h às 15h30.

O espaço tem uma equipe multidisciplinar.

Fonte: Prefeituras consultadas.

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