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Lição de amor e dedicação em uma orquestra especial

O silêncio da rua Mestre Gomes, na Glória, em Vila Velha, todo sábado de manhã dá lugar a sons de violinos, piano, baixo, flautas e risos de ...

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Maestro Carlos Roberto Berto com os alunos do Instituto Artes sem Limites. “É gratificante”, diz o professor. (Foto: Fábio Nunes/AT)

O silêncio da rua Mestre Gomes, na Glória, em Vila Velha, todo sábado de manhã dá lugar a sons de violinos, piano, baixo, flautas e risos de crianças. Isso porque na rua, perto do Parque Morro da Manteigueira, é onde acontecem as aulas e os ensaios da Orquestra de Violinos do Instituto Artes sem Limites.

São 33 alunos tocando instrumentos sob o comando do maestro e professor Carlos Roberto Berto, que tem 25 anos de dedicação ao ensino da música dentro da Igreja Batista Boas Novas.

Além de ajudar com os custos do projeto, a igreja também é a sede da orquestra.

“A intenção sempre foi oferecer uma oportunidade para os meninos e meninas que vivem soltos nas ruas dos bairros ao entorno. Dar a eles a oportunidade de conhecer a música clássica”, contou o maestro.

Os alunos mais experientes formam a orquestra de 15 instrumentos e tocam todo tipo de música.

Os olhos do professor brilham quando conta que os alunos já tocaram em eventos e lugares importantes na Grande Vitória, como o Palácio da Cultura Sônia Cabral, no centro de Vitória.

“É gratificante ver o resultado. Tenho alunos da orquestra que já são casados, formados em música e se dedicam a isso”, comentou Carlos Roberto.

Formado na Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames), o maestro destaca que a intenção não é que todos se transformem em músicos.

“Quero que eles conheçam o outro lado. Quero que vejam que não existe só o funk ou o pagode, que é o que chega para eles na comunidade. Quero que eles saibam que há mais do que isso”, disse.

Além da orquestra, o projeto tem mais 18 alunos nas aulas de iniciação musical, com violino e flauta doce, entre outros instrumentos. “Eles não precisam trazer os instrumentos. Por meio de doações, tentamos conseguir os instrumentos para aqueles que querem aprender”.

Para participar das aulas, que são gratuitas, é preciso ter entre 6 e 16 anos, e a família ter renda mínima de até dois salários mínimos (R$ 1.996), além de morar em Vila Velha. Basta ir até a sede do projeto na Glória, em Vila Velha.

Sonho de tocar violino com os netos

 (Foto: Fábio Nunes/AT)A dona de casa Maria da Graça Lopes Lorentino, 60 anos, tem o sonho de tocar violino junto com os netos Mayra Kelly,15, Ryan Lopes, 15, e Davi Almeida Pontes, 11, que já fazem parte da orquestra do Instituto Artes sem Limites. Para isso, ela está treinando bastante.

Maria faz parte da turma de iniciação ao violino e treina até durante as tarefas do dia a dia de casa. “Gosto muito de fazer as aulas, a mente trabalha bem melhor. Tenho orgulho dos meus netos e estou estudando bastante”, disse.

Judô conquistou medalhas

Além da música, o Instituto Artes sem Limites também tem se destacado em outras modalidades. O projeto, com sede na Glória, Vila Velha, se orgulha das várias medalhas que os alunos de judô conquistaram em vários campeonatos diferentes.

Quem comanda as aulas de judô é o professor e sensei Hiago de Moraes Matos, que tem orgulho de suas turmas, com crianças de várias idades.

O mais novo deles é Renan Mecina Tostes, 4, que se juntou à turma há um mês. “Ele está adorando! Vem em todas as aulas superempolgado. É bom para gastar todas as energias”, contou o pai do menino, o conferente Renato Tostes, 49.

O professor contou que o orgulho não é apenas por causa das medalhas, mas das histórias que o trabalho tem ajudado a mudar. “Fico orgulhoso. Para mim, é uma imensa alegria participar do projeto. Estamos colhendo o fruto desse trabalho na vida das crianças”.

Ele relatou que um de seus alunos tinha um histórico problemático na escola, mas depois que passou a frequentar o projeto, melhorou muito. “Ele já tinha sido expulso de três escolas, tinha um comportamento ruim, mas os pais me contaram que agora está tudo bem”, disse.

A coordenadora do instituto, Maria dos Santos, disse que quem quiser ajudar com doações ou trabalhos voluntários pode procurar o projeto pessoalmente ou por telefone.

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