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Na balada, na rua, na internet ou no ônibus, a resposta negativa para as cantadas nem sempre é aceita, e algumas mulheres se veem obrigadas a passar por situações de medo e constrangimento tentando se desvencilhar de investidas indesejadas.
Aos 22 anos, uma universitária já passou por algumas experiências em que tentaram tirar dela o poder de dizer “não” para uma investida. “Tive de lutar com um homem que puxou minha bolsa para me segurar por não aceitar que não iria ficar com ele”.
Para a estudante, as investidas indesejadas já vieram também por contato nas redes sociais, na balada e até em carros de aplicativo.
A Tribuna – De alguma forma, já se sentiu agredida após não querer ficar com alguém?
Universitária – Sim, algumas vezes. Houve uma situação em que eu estava em uma balada, com amigos, e dividimos a conta. Um rapaz que estava com a gente acabou pagando um pouco a mais.
Na hora de ir embora, eu e outras pessoas fomos de carona com ele. Ele achou que iria ficar comigo, mas eu disse que não. Na hora, ele jogou na minha cara que tinha pagado minha conta, como se desse o direito a ele de ficar comigo.
Nós brigamos no carro e, quando o carro parou em um local, ele chegou a puxar minha bolsa para me segurar lá. Lutei com ele dentro do carro para sair. Cheguei a chamar a polícia.
– Ficou nervosa?
Sim. Já tinha bebido, ele também, mas não dá o direito a achar que pode fazer isso. Outras pessoas dentro do carro tentaram acalmar a situação.
– Se sentiu assediada ou importunada outras vezes?
Sim. Esses dias, como trabalho com vendas em uma rede social, um homem chegou pedindo para olhar algumas peças, fazendo uma série de perguntas. Perdi meu tempo de trabalho, atendendo e respondendo as perguntas, e no final ele falou que só queria meu telefone pois estava interessado em mim. Eu estava trabalhando, era o meu tempo que perdi em uma investida indesejada.
Outro dia, entrei sozinha em um carro de aplicativo e o motorista começou a falar coisas para mim, chegou a dizer que eu era gostosa. Fiquei com medo. Fora quando está em uma balada e recusa alguém e depois é xingada.
– Dá sensação de impotência?
A gente se sente objetificada, desrespeitada como mulher. Muitas vezes, pela forma com que estou vestida, eles sentem que estou fazendo algum tipo de convite, dando a eles o direito.
Constrangimentos
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Acompanhada de duas amigas, uma bacharel em Direito, de 24 anos, passou por duas situações constrangedoras.
“Estávamos conversando em uma praça e as minhas amigas ficaram com dois rapazes. Um terceiro achou que iria ficar comigo, mas eu recuei. Ele ficou indignado e disse que poderia me esculachar, mas isso não me intimidou”.
Em outra ocasião, ela estava em uma festa e um rapaz queria ficar com ela. “Eu menti, disse que estava acompanhada e me afastei para evitar problemas”.
Sufoco em viagem
Filha de um policial, uma jovem de 21 anos passou por sufoco no mês passado ao embarcar em um carro de aplicativo. O motorista, 42, foi preso acusado de ter se masturbado durante uma corrida na frente dela.
À polícia, ela disse que embarcou em Santa Luzia, Serra, e o motorista não teria seguindo a rota do aplicativo, passando por ruas desertas e feito perguntas de cunho pejorativo. Ela compartilhou a localização em tempo real com parentes, que acionaram a PM.
Assédio no ônibus
No mês passado, uma gerente de vendas, 37 anos, passou por momentos constrangedores em um ônibus do Transcol. Ela voltava do trabalho quando foi surpreendida por um homem.
“Encostei minha cabeça para trás e fechei os olhos. Ele começou a encostar a perna em mim. Cada vez mais, ele ia chegando perto e, pouco tempo depois, comecei a sentir o braço dele”, disse a vítima, à época.
O acusado, de 49 anos, foi preso em flagrante e autuado pelo crime de importunação sexual.
“Não queria beijo”
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A repórter da ESPN Jéssica Dias foi vítima de assédio quando cobria o duelo entre Flamengo e Vélez Sarsfield, na última quarta-feira, no Maracanã. O assediador chegou a ser preso.
Jéssica se manifestou no seu Instagram. “Foi só um beijinho no rosto. Não. Não foi. Antes tiveram muitos xingamentos e importunação, porque o ao vivo demorava… Eu não queria beijo, não queria carinho, não queria passar 3h em uma delegacia. Eu só queria trabalhar…”