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LUTA POR INCLUSÃO

Mães protestam por falta de cuidadores em escolas

Acampadas em frente ao Palácio Anchieta, Vitória, elas cobram profissionais voltados à educação especial para os filhos na rede estadual

Mães de alunos com deficiência dizem que só vão deixar o acampamento após serem atendidas pelo governador

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Cerca de 50 mães de alunos da rede estadual de ensino, todos com deficiência, estão acampadas em frente ao Palácio Anchieta, em Vitória. A manifestação é contra a falta de cuidadores e profissionais voltados à educação especial nas escolas. 

Elas também pedem por melhorias na acessibilidade dos estudantes e cobram atendimento de profissionais especializados nas áreas de psiquiatria e neuropediatria.  

O movimento é organizado pelo Coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN), formado por mulheres que lutam pela inclusão de seus filhos. A coordenadora geral do MESN, Lucia Mara dos Santos, pede que o governo do Estado analise as pautas com um olhar sensível. 

“Estamos vivendo uma situação de muito desrespeito. O ano letivo começou, e tudo foi preparado para receber os estudantes sem deficiência. Já os nossos filhos estão em casa, pois os profissionais que dariam assistência estão em falta”, afirmou Lucia.

Ela conta que representantes das secretarias de Estado da Educação (Sedu) e da Saúde (Sesa) se reuniram com o grupo, mas que o governador do Estado, Renato Casagrande, não esteve presente. Em seu lugar, estava a vice-governadora, Jacqueline Moraes.

“Muitas mulheres estão com as suas vidas paradas porque precisam cuidar dos filhos, já que as escolas não têm condições. Portanto, só sairemos daqui quando o governador nos atender e se comprometer com a pauta”, ressaltou Lucia.

A coordenadora do MESN, Franciane Rodrigues, reforça que as aulas tiveram início no dia 4 deste mês e a ausência de profissionais para atender a demanda causa angústia, tanto aos alunos, quanto às mães. “Isso é muito triste, pois muitas delas choram. Dói na alma”.

A coordenadora do grupo, Rafaela Prata Faria, também ressalta que o atendimento nas unidades de saúde e hospitais do Estado não tem dado conta da demanda. Ela afirma que as mães estão esperando até três anos para conseguir uma consulta com especialistas como psiquiatra e neuropediatra.

“O Hospital Infantil, por exemplo, está com apenas uma profissional, que está sobrecarregada”, afirmou Rafaela.

Sedu diz que profissionais estão sendo convocados

Diante do protesto das mães, o governo do Estado afirmou que está convocando profissionais, mas informou que não é possível atender o movimento com a presença do governador neste momento.

A reunião com o governador Renato Casagrande é uma das principais condições para que elas encerrem as manifestações.

No entanto, o governo ressaltou, por meio de nota, que Casagrande estará ausente do Palácio Anchieta durante toda a semana por conta de compromissos  em Brasília e no interior do Estado.

Já a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) esclareceu, também por nota, que as chamadas e contratações de cuidadores estão ocorrendo, e desde janeiro os profissionais estão sendo convocados.

Atualmente, são 1.200 professores especializados contratados pela Sedu. A rede estadual de ensino atende 12.805 estudantes com deficiência em 407 escolas.

Quanto ao transporte escolar, a Sedu informou que ele é ofertado em parceria com as prefeituras.

Sobre o atendimento especializado na área da saúde, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, negou que haja falta de diálogo entre a Sesa e o Coletivo MESN. Ele alega que as manifestantes recusaram as reuniões por conta da ausência do governador.

“Nenhuma exigência está paralisada. Contratamos serviços de neuropediatria e transferimos recursos para mais de 3 mil consultas para que possamos ampliar as ofertas e encerrar a fila”, afirmou o secretário.


ENTENDA


O que as mães cobram

  • Cerca de 50 mães de alunos com deficiência estão acampadas em frente ao Palácio Anchieta alegando que os cuidadores e profissionais voltados à educação especial estão em falta nas escolas.
  • As mães alegam que os estudantes com deficiência estão fora da escola desde o inicio do ano letivo por falta de cuidadores, professores e acessibilidade nos colégios.
  • Elas também cobram por mais transporte escolar para os filhos.
  • As mães criticam, ainda, a falta de profissionais especializados no atendimento em hospitais, como na psiquiatria e neuropediatria.
  • O Coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN) pretende ficar acampado em frente ao Palácio Anchieta até que o governador Renato Casagrande atenda o grupo.

O que diz o Governo

  • O Governo do Estado informou que recebeu um ofício do Coletivo Mães Eficientes Somos Nós (MESN) sobre o acampamento, mas que, por conta da agenda em Brasília e no interior do Estado,  o governador Renato Casagrande estará ausente do Palácio Anchieta durante toda a semana
  • A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) esclareceu que as chamadas e contratações de cuidadores escolares estão ocorrendo, e desde janeiro os profissionais estão sendo convocados.
  • Já o Secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, afirmou que o Estado tem trabalhado para acabar com as filas de atendimento para pessoas com deficiência.

Fonte: Coletivo MESN e governo do Estado.

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