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“Maior desafio em sala de aula é a falta de respeito”, diz especialista

Dedicar-se à tarefa de educar o ser humano não é um trabalho fácil. Hoje, dia reservado para celebrar a profissão de professor, a reportagem do ...

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Dedicar-se à tarefa de educar o ser humano não é um trabalho fácil. Hoje, dia reservado para celebrar a profissão de professor, a reportagem do jornal A Tribuna conversou com exclusividade com o psicólogo clínico Rossandro Klinjey.

Ele, que também é escritor e palestrante com temas relacionados à educação e família, abordou os maiores desafios enfrentados em sala de aula pelos educadores.

Com mais de 10 anos de experiência de atendimento em seu consultório a professores e pais, com milhões de seguidores em suas redes sociais e autor do livro “Help, me eduque”, Rossandro explica que o maior desafio a ser superado pelos professores é lidar com a falta de limite levada pelas crianças do ambiente familiar para o âmbito escolar.

“O maior desafio do professor hoje é enfrentar a falta de respeito e o não reconhecimento de sua autoridade”, afirmou o especialista.

Além disso, neste dia especial para os educadores, ele também discorreu sobre a terceirização da educação dos filhos, que tem se tornado uma prática comum.

Rossandro Klinjey afirma que pais terceirizam a educação dos filhos (Foto: Jefferson Rocio)

Jornal A Tribuna – O que pode ser considerado o maior desafio hoje a ser enfrentado pelos professores?

Rossandro Klinjey – Sem dúvida, a maior dificuldade que um educador enfrenta diariamente é o encontro com uma geração que é não educada moralmente em casa e chega no ambiente escolar sem o senso de respeito.

Se eles não respeitam o pai ou a mãe, dificilmente vão respeitar quem está ali se propondo a passar conhecimento. Um outro desafio a ser apontado é dividir espaço com as distrações tecnológicas, como o uso indiscriminado do celular em sala de aula.

E sabendo dessas dificuldades, como o professor pode se reinventar diante dessas adversidades?
Aí nós podemos fazer o chamamento dos pais na educação dos filhos, trazendo-os para o contexto da escola, para mostrar que é também de responsabilidade deles a contribuição na construção daquele ser humano.

A outra coisa é a proibição definitiva do celular em sala de aula. Outros países já tomaram essa medida. Não dá para transmitir conhecimento disputando com um aparato tecnológico tão cheio de distrações.

Então o senhor defende a proibição total do celular em sala de aula?
Com certeza. Assimilar o conteúdo passado pelos educadores exige foco e concentração total. É difícil para um professor competir com isso e, consequentemente, essas distrações acabam ganhando mais atenção do que o conteúdo que está sendo ministrado.

Está confuso o papel que o pai ocupa na educação dos filhos?
Com certeza. Os pais estão confundindo autoridade com autoritarismo, confundindo muito o que é liberdade individual, confundem privacidade e não policiamento dos filhos, o que acaba causando um desequilíbrio muito grande e a perda de limites.

A escola não tem o papel de educar moralmente jovens e crianças. Ela colabora com isso, mas essa função principal é dos pais. Quando essa questão não é bem definida, nós vemos, corriqueiramente, as agressões em sala de aula de jovens sem noção de moral. Professor não pode ser considerado pelos pais como uma espécie de babá dos filhos.

Falta aos pais o bom senso?
O que mais se vê hoje em dia são famílias que se unem para assistir a uma partida de futebol ou para fazer um churrasco, mas não sentam para discutir sobre a tarefa escolar, o que faz com que eles terceirizem a educação dos filhos para o computador, o celular, a Netflix ou a babá.

Como os professores podem usar a tecnologia para cativar os alunos?
É preciso ter cuidado com a ideia de usar tecnologia para cativar aluno. Existem, sim, muitos recursos que podem ser utilizados, porém, na cabeça do estudante, aquilo ali vai ser novidade na primeira semana.

O que faz aluno prestar atenção é um ambiente onde se incentiva o diálogo e uma discussão aprofundada e não somente uma enxurrada de aparatos tecnológicos.

Qual o conselho o senhor dá aos educadores para que eles possam continuar acreditando no propósito de sua profissão?
Também como professor, meu conselho é que continuemos a acreditar no poder da educação, porque tudo o que almejamos e acreditamos que possa ser o mais transformador para o nosso País só virá por meio de uma educação eficaz.

Só por meio da escola é que as transformações mais profundas vão acontecer no mundo. É preciso manter a esperança nisso. Que cuidemos também da nossa saúde mental e física e que sigamos unidos por essa força transformadora.

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