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Mais de 2 mil pacientes esperam cirurgia para perder até 100 quilos

Muito além de uma questão estética, a obesidade já atinge 10% da população brasileira e, na maioria dos casos, está associada a problemas como ...

O motorista Fávero Martins, 38 anos, e a mulher dele, Mariana Laino, 35, passaram pela cirurgia. Ele já perdeu mais de 100 quilos

Última atualização

O motorista  Fávero Martins,  38 anos, e a mulher dele,  Mariana Laino, 35, passaram pela cirurgia.  Ele já perdeu mais de 100 quilos (Foto: Leone Iglesias/AT)Muito além de uma questão estética, a obesidade já atinge 10% da população brasileira e, na maioria dos casos, está associada a problemas como diabetes e hipertensão.

Na busca por uma melhor qualidade de vida, mais de 2 mil pacientes estão na fila para realização de uma cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde, no Estado. O tempo de espera tem chegado a três anos. A perda de peso, após a cirurgia, em alguns casos, pode ultrapassar os 100 quilos.

No Estado, três hospitais realizam as cirurgias na rede pública: o Hospital das Clínicas (Hucam), o Hospital Evangélico de Vila Velha e o Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim.
A porta de entrada para pacientes está na própria rede pública, desde centros de especialidades a unidades de saúde e hospitais.

O coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica do Hucam, Gustavo Peixoto Miguel, afirmou que o serviço está completando 20 anos no hospital, com mais de 2 mil pacientes operados.
“Realizamos uma média de 180 cirurgias bariátricas por ano. Um dos diferenciais é que além de toda assistência aos pacientes, ainda formamos os futuros profissionais que irão atuar na área”.

Ele reforçou que, hoje, cerca de 1.100 pacientes aguardam a cirurgia, em diferentes fases. “Com a pandemia, além de termos ficado com o serviço paralisado um tempo, pacientes enfrentam dificuldade para realizar os exames.”

Com a modernização das técnicas, ele reforçou que, hoje, parte das cirurgias realizadas no hospital já é por videolaparoscopia, o que torna o pós-operatório e os riscos menores. “Temos uma característica de operar grandes obesos. Eles são acompanhados por profissionais de diferentes áreas, antes e após a cirurgia.”

No hospital Evangélico de Vila Velha, a fila de espera pela cirurgia pelo SUS também chega a 1.200 pacientes. A endocrinologista e metabologista do Hospital, Fernanda Zottich Loureiro, revelou que a capacidade é hoje de 20 cirurgias por mês pela rede pública. “Todos que entram para o serviço passam por uma equipe multidisciplinar, com psicólogo, assistente social, enfermeiros e outros”.

“O objetivo principal da cirurgia bariátrica é devolver a qualidade de vida a esses pacientes. Além do controle metabólico, muitos relatam que conseguem voltar a realizar coisas básicas, como atividades físicas, ou até amarrar o tênis.”

Casal tem vida nova após fazer bariátrica

Cinco anos após a cirurgia que mudou sua vida, o motorista carreteiro Fávero Martins, de 38 anos, comemora muito mais que os 102 quilos a menos, mas cada pequena vitória.

Hoje, ele conta que é capaz de calçar o sapato sozinho, comprar uma roupa que caiba em lojas, subir escadas, e até fazer atividade física regular, o que era difícil quando tinha 221 quilos.
Fávero revelou que sempre teve um sobrepeso, mas após um período de muito estresse, engordou muito.

“Eu não vi isso acontecer. Tenho 1,91 metro, então só me assustei ao me pesar. Nesse momento, já tinha dificuldade para várias atividades simples.”
Ele contou que, apesar de jovem, sofria com bronquite asmática, com a apneia do sono e fortes dores nas pernas.

“Para subir no caminhão, precisava subir três degraus da escada, o que passou a ser difícil. Não conseguia mais trabalhar por causa do inchaço, das dores. Roupas, só se mandasse fazer.”

Ele contou que após dois anos na fila de espera pela cirurgia bariátrica no Hospital Evangélico de Vila Velha, finalmente foi chamado para realizar o procedimento pelo SUS.

Mesmo assim, ele ainda teve que enfrentar um grande desafio: perder peso antes da cirurgia. “O médico disse que com o meu peso, o risco de eu morrer no procedimento era grande e que eu precisava emagrecer para operar.”

Fávero encarou o desafio, com o apoio da equipe multidisciplinar do Hospital, e perdeu 48 quilos em 11 meses.
“Eu operei com 173 quilos. Cheguei a 103 após a cirurgia e hoje estou com 119 quilos. Consigo fazer tudo, dormir bem.”

A mulher dele, Mariana Laino, 35, também passou pelo procedimento há 33 dias no mesmo hospital e se recupera.

Segundo ela, chegou a pesar 128 kg e, após descobrir o diagnóstico de diabetes tipo 2, além da hipertensão, decidiu que a cirurgia bariátrica não era uma opção, mas uma necessidade. Hoje, ela pesa 106,3 kg, mas ainda está no processo de redução.


SAIBA MAIS


Bariátrica pelo SUS no Estado
A cirurgia bariátrica é realizada no Hospital das Clínicas (Hucam), em Vitória, e no Hospital Evangélico de Vila Velha e de Cachoeiro de Itapemirim.
Fila

  • mais de duas mil pessoas estão inscritas para fazer a cirurgia pelo SUS, mas nem todas têm indicação ou estão aptas.
  • 3 anos é a média de espera para conseguir o procedimento.

Quem pode fazer

  • Pessoas com o IMC acima de 40
  • Pessoas com IMC entre 35 e 40, com outras doenças associadas, como diabetes e hipertensão.
  • Pessoas com o IMC abaixo de 35 na presença de doenças metabólicas graves, como diabetes. Nesses casos, o paciente tem de ter, pelo menos, 10 anos de tratamento.
  • Idade
  • Em geral, entre 18 e 65 anos, mas há exceções, sendo avaliado cada caso pela equipe.

Como funciona

  • Os pacientes, geralmente, são encaminhados aos serviços por outros profissionais que os acompanham em unidades de saúde, centros de especialidades ou até em outros serviços de hospitais.
  • No processo até chegar à cirurgia, eles passam por diversos profissionais, em equipes multidisciplinares, que incluem assistentes sociais, psicólogos, enfermeiras e educador físico, entre outros.

O que é o IMC?

  • A sigla para índice de massa corporal é um cálculo que serve para avaliar se a pessoa está dentro do seu peso ideal em relação à altura.
  • O cálculo deve ser feito dividindo o peso da pessoa por sua altura ao quadrado (altura x altura).

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