Apesar de ainda estar em fase de testes, a tão sonhada vacina contra o Alzheimer já é encarada com esperança pelos especialistas, que comemoram o avanço científico. Produzido pela biofarmacêutica sueca Alzinova, o imunizante começou a ser testado em humanos neste mês.
O estudo, cujo objetivo é avaliar a segurança e tolerabilidade da vacina, planeja recrutar 26 pacientes que possuam a doença em estágio inicial. A pesquisa será conduzida na Finlândia, onde houve o recrutamento do primeiro voluntário.
Atualmente, cerca de 1,2 milhão de brasileiros sofrem com a enfermidade, conforme a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). No Espírito Santo, há 36 mil pessoas que possuem o problema, capaz de gerar perda de várias funções cognitivas, como memória, orientação, atenção e linguagem.
Segundo a neurologista Soo Yang Lee, o início dos testes era aguardado com muita expectativa pela comunidade científica. “É uma ótima notícia, pois beneficiará não apenas quem tem a doença, mas também aquelas pessoas predispostas a desenvolvê-la. Será possível agir mais rapidamente”.
Soo Yang explicou ainda que, caso a vacina apresente resultados satisfatórios, só deve ficar disponível para venda depois de dois anos. O preço da dose deve variar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, acredita a neurologista.
Outro médico que comemorou o início dos testes foi o presidente da Academia Brasileira de Neurologia no Estado (Abneuro), José Antônio Fiorot Junior. “Qualquer novidade no tratamento da doença é bem-vinda”, salientou.
O geriatra e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Roni Mukamal afirmou que o surgimento da ALZ-101 é, sim, animador, mas também deve ser analisado com cautela. “Precisamos aguardar os resultados para saber se ela é eficaz ou não”, disse.
Ele avaliou ainda que um “boom” de novos casos deve acontecer pelos próximos anos, devido a um maior envelhecimento da população. “À medida que as pessoas passam a envelhecer mais, cresce o risco de terem o problema”.
Dados da Universidade Federal de Pelotas, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade de Queensland, da Austrália, estimam que a quantidade de pessoas com Alzheimer vai quadruplicar dentro de 30 anos.
Levando em conta os dados da ABRAz e das instituições, em 2051, o número de brasileiros com a doença pode variar entre 2,8 milhões e 4,8 milhões. No Estado, seriam entre 84 mil e 144 mil.
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Por possuir histórico de doença de Alzheimer na família, incluindo quatro tias e um primo, o representante comercial Orácio Alves Barcelos, de 82 anos, tenta sempre manter a memória ativa.
Entre as atividades que ele gosta de fazer, estão visitar familiares, cuidar da casa, praticar exercícios físicos e ler o jornal A Tribuna.
Ele celebrou o início dos testes da vacina contra a doença e espera que os resultados deem certo, para ajudar as pessoas que sofrem com esse mal.
“Se eu pudesse, até me voluntariaria para a pesquisa da vacina, como forma de ajudar os outros e também de conseguir ficar longe da doença. Enquanto isso, tento me cuidar da forma que posso”, afirmou o idoso.
SAIBA MAIS – DOENÇA DE ALZHEIMER
Origem
O alzheimer, descrita em 1906 pelo psiquiatra e neuropatologista alemão Alois Alzheimer, se apresenta como demência ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais.
A doença atinge, em geral, pessoas mais idosas, entre os 60 e 100 anos de idade.
Sintomas
A doença pode ser dividida em três graus: leve, moderada e grave.
Na fase leve, podem ocorrer alterações como perda de memória recente, desorientação no tempo e no espaço, sinais de depressão, entre outros sinais.
Na fase moderada da doença, são comuns o esquecimento de fatos importantes e de nomes de pessoas próximas, a incapacidade de viver sozinho, a necessidade de ajuda com a higiene pessoal e autocuidados; além de alucinações (ver pessoas, ouvir vozes de pessoas que não estão presentes).
Na fase grave, observa-se também prejuízo gravíssimo da memória, incontinência urinária e fecal e intensificação da agressividade. Há tendência de necessidade de auxílio para caminhar.
Prevenção
O estilo de vida é muito importante para prevenir o Alzheimer. Quanto mais cedo houver uma mudança de hábitos, mais fácil para minimizar o problema.
É importante estimular o cérebro, fazer exercícios físicos, ter uma alimentação saudável e balanceada e tomar sol ou suplementar com vitamina D.
Crescimento dos casos
Atualmente, cerca de 1,2 milhão de brasileiros sofrem com a enfermidade, conforme a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). No Espírito Santo, há 36 mil pessoas que possuem o problema.
De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade de Queensland, da Austrália, dentro de 30 anos, o número total de casos pode quadruplicar.
Levando em conta os dados da ABRAz e das instituições, em 2051, o número de brasileiros com a doença pode variar entre 2,8 milhões e 4,8 milhões. No Estado, seriam entre 84 mil e 144 mil com Alzheimer.
A possível vacina
Chamada de “ALZ-101”, uma vacina da biofarmacêutica sueca Alzinova começou a ser testada em humanos neste mês. O primeiro paciente voluntário foi recrutado na Finlândia.
A vacina age especificamente sobre uma estrutura chamada de oligômeros beta-amilóide (cadeias de várias unidades da proteína), cujo acúmulo no cérebro leva ao desenvolvimento do Alzheimer.
A investigação pretende recrutar 26 pacientes em estágio inicial da doença.
O estudo investigará o uso de duas dosagens diferentes da vacina durante um período de 20 semanas.
O ensaio clínico para a vacina é do tipo duplo-cego, controlado por placebo (produto sem a vacina), ou seja, nem os pesquisadores nem os participantes saberão quais indivíduos estão recebendo a medicação e quais o placebo.
Estudos pré-clínicos não demonstraram indícios de problemas de toxicidade ou inflamação associados ao imunizante.
Fonte: Associação Brasileira de Alzheimer, Academia Brasileira de Neurologia, médicos consultados e pesquisa AT.