Até esta terça-feira (21), 392.440 pessoas morreram durante este ano, no País, por causa de doenças cardiovasculares, segundo o Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia. São mortes causadas por infarto e acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo.
Para tentar reduzir os riscos de mortes por problemas cardiovasculares, um novo guia de alimentação saudável foi lançado por médicos.
Elaborado pela Associação Americana do Coração, o guia alimentar foi atualizado pela primeira vez depois de 15 anos, com base em dezenas de pesquisas científicas. Ele dá orientações para “melhorar a saúde cardiovascular” .
Uma das recomendações é quanto ao consumo dos alimentos ultraprocessados.
“O grande problema da alimentação mundial são os alimentos industrializados, aos quais foram adicionados corantes, aromatizantes, sódio, açúcares, que estão intimamente ligados com aumento de hipertensão arterial, obesidade e diabetes”, destaca a cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Estado, Tatiane Mascarenhas.
Para aqueles que acreditam que os óleos tropicais, como de coco, são melhores de se consumir do que os vegetais, como de soja e de oliva, a associação recomenda o contrário.
“Os óleos vegetais são melhores do que os de coco e palma, de preferência os azeites. Quando a gente esquenta qualquer óleo, ele perde suas propriedades. Na minha prática, para esquentar, ainda prefiro as gorduras, como manteiga e banha”, destaca o médico nutrólogo Roger Bongestab.
“Não recomendamos ao paciente comer frituras, mas, se ele for comer, que sejam colocadas na gordura, ou seja, lipídios animais. Mas, para comer sem ser frituras, que sejam os óleos vegetais líquidos”, indica o médico.
Redução de sal e açúcar também são recomendados no guia, que orienta ainda sobre a quantidade de alimentos ingeridos.
“Observamos também não só a qualidade dos alimentos, mas a quantidade. Para o combate à obesidade, precisamos fazer um bom equilíbrio dietético, em relação à quantidade de calorias ingeridas e gastas durante o dia”, pontua o cardiologista Pietro Lima, da Clínica Urovitória.
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Dicas do consultório para dentro de casa
A médica Talita Fernandes leva para dentro de casa, junto aos filhos João Lucca, de 5 anos, e Lais, 12, as orientações que dá aos pacientes em consultório, de ter uma alimentação saudável com menos industrializados e processados.
“Nossa alimentação é mais in natura, sem muitos ultraprocessados. A alimentação natural, por ser 100% natural, preserva suas qualidades, como sais minerais, fibras e vitaminas. Alimentos in natura diminuem riscos de doenças”, afirma.
“Acho, porém, um pouco difícil manter uma alimentação 100% natural com crianças, já que elas vão para escola e lá tem outras crianças com propostas diferentes da nossa. Elas sentem curiosidade de saber como é, e que sabor tem”, observa a médica.
SAIBA MAIS
Doenças cardiovasculares
- Mais de 390 mil pessoas já morreram, este ano, no País devido às doenças cardiovasculares, segundo o Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
- A Sociedade Brasileira de Cardiologia estima que, ao final deste ano, quase 400 mil brasileiros morrerão por doenças do coração e da circulação. Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas ou postergadas com cuidados preventivos e medidas terapêuticas.
- Insuficiência cardíaca, acidente vacular cerebral e infarto são algumas dessas doenças que levam à morte.
Guia alimentar
- A Associação Americana do Coração lançou uma nova diretriz com orientações para o regime alimentar que reduz o risco de doenças cardiovasculares.
Prefira óleos vegetais
- A orientação é usar óleos vegetais líquidos, como soja, girassol e de oliva, em vez de óleos tropicais (coco, palma e caroço de palma), gorduras animais (manteiga e banha) e gorduras parcialmente hidrogenadas.
- A cardiologista Tatiane Mascarenhas afirma que os óleos tropicais, como o de coco, eleva o LDL colesterol (colesterol ruim), que é um dos principais vilões para a doença cardiovascular.
Bebida alcoólica
- A Associação Americana do Coração reconhece que a relação entre o álcool e as doenças cardiovasculares é complexa. Por isso, não apoia o início da ingestão de álcool em qualquer nível para melhorar a saúde, dada a incerteza sobre os efeitos na saúde.
- O cardiologista Pietro Lima pontua que, por não haver um controle adequado sobre a quantidade, há uma dificuldade em orientar os pacientes. O médico alerta que, se não for de forma limitada, é importante que as pessoas não bebam.
Açúcar
- O documento chama a atenção para os açúcares adicionados a alimentos e bebidas durante o preparo.
- Os tipos comuns de açúcar adicionado incluem glicose, dextrose, sacarose, xarope de milho, mel, xarope de bordo e suco de fruta concentrado. Eles têm sido associados a um risco elevado de diabetes tipo 2, doença cardiovascular e excesso de peso corporal.
Alimentos ultraprocessados
- Segundo o guia alimentar, o consumo é preocupante por causa de sua associação com resultados adversos à saúde, incluindo sobrepeso e obesidade, diabetes tipo 2 e mortalidade por todas as causas.
- O nutrólogo Roger Bongestab diz que esses alimentos são submetidos a processos químicos que podem piorar a qualidade dos alimentos e torná-los nocivos à saúde.
Redução de calorias
- O guia alimentar traz um alerta: grandes porções, mesmo para alimentos saudáveis, podem contribuir para o ganho de peso.
Grãos integrais
- Recomenda-se os produtos com, ao menos, 51% de cereais integrais na composição.
Fonte: Associação Americana do Coração, médicos consultados, O Globo e pesquisa AT.