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Médicos explicam 10 fake news da infância

Especialistas dizem que mitos sobre a saúde são repassados entre várias gerações por falta de informação e conhecimento

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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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Quem é mãe ou pai provavelmente já reproduziu alguma crença popular a respeito da saúde do filho, do tipo: “Menino, comer manga com leite faz mal” ou “Você pode morrer se  entrar na água depois de comer”. 

Esses e tantos outros mitos  são repassados entre gerações. Mas, a pedido da reportagem, médicos apontam as 10 fake news que costumam fazer parte da infância. 

O famoso “comer formiga faz bem para as vistas” virou quase uma tradição durante a infância de muitas crianças, mas a oftalmologista Klicia Molina, do Hospital de Olhos de Vitória, explica que tudo não passa de lenda.

“Tudo indica que a lenda foi inventada para que não se rejeitassem alimentos invadidos pelas formigas, como é o caso do açúcar. Também é comprovado que insetos têm alto teor de proteína na sua composição, mas em nada tem a ver com benefícios para as vistas, isso é lenda mesmo”, afirma.

Para muitas crianças andar descalço e tomar chuva são terminantemente proibidos, já que os pais acreditam que elas possam ter pneumonia.  A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destaca, todavia, que isso é um mito, já que  a pneumonia é causada por vírus, fungos ou bactérias.

E será que comer e, na sequência, entrar na água pode levar à morte? Muitos pais acreditam que sim e dizem isso para as crianças.

“O recomendado é respeitar, após se alimentar, um intervalo para que a digestão seja feita, porque parte do sangue do organismo vai para o estômago e o intestino para facilitar a digestão. Não é que não possa (entrar na piscina), mas   não podem ser feitos exercícios extenuantes”, destaca o pediatra e coordenador da Região Sudeste da Sociedade Brasileira de Pediatria, Rodrigo Aboudib. 

Há pais ainda que não deixam a  criança comer um bolo mais quente para “não ter dor de barriga”.  

Entretanto, a pediatra Bruna de Paula explica que se trata de um mito. “Seria o mesmo que comer a comida quente. O problema está no exagero que pode causar uma dor de barriga, e não porque está quente”.

Ainda segundo a médica, muitas dessas fake news são repassadas pelos pais por falta de conhecimento e informação.

A propagandista Bárbara Furieri Resieri, de 35 anos, conta que evita contar as “fakes news da infância” para o filho Davi, de 1 ano e 10 meses, para manter uma comunicação transparente. 

“Busco informação científica e aproveito os recursos que tenho para estar bem informada”.

As fake news

  1.  Pegar borboleta e passar a mão no olho cega

 MITO.  De acordo  com a oftalmologista Klicia Molina, o que pode acontecer é alguma escama da asa entrar no olho e irritar o local, mas o efeito é o mesmo de um cisco. Para evitar problemas, é preciso lavar as mãos depois de mexer com animais.

 2.  Andar descalço e tomar chuva e sereno podem causar pneumonia

MITO.  A pneumonia  é causada por vírus, fungos ou bactérias. Essa infecção respiratória acomete em especial as crianças menores de 5 anos, que possuem o sistema imune em desenvolvimento. Vale lembrar que o resfriado, a gripe e outras doenças respiratórias virais facilitam a infecção por bactérias.

A vacinação pode prevenir alguns tipos de pneumonia, como a provocada pelo pneumococo.

3. Comer bolo quente dá dor de barriga

MITO. A pediatra Bruna de Paula explica o  problema está no exagero de comer o bolo,  que pode causar dor de barriga e não porque o alimento está quente.

4.  Entrar na água de barriga cheia pode levar à morte

MITO. O que pode causar algum problema é a atividade física e o esforço provocado pela natação ou brincadeira na água. O pediatra Rodrigo Aboudib diz que o sangue utilizado para a digestão, com excesso de movimentos,  pode ser desviado para os músculos e outras partes do corpo.

5. As vacinas podem causar doenças que deveriam prevenir

MITO. As vacinas apresentam grande margem de segurança, porque são desenvolvidas a partir de vírus e bactérias inativados (mortos) ou atenuados (enfraquecidos). 

Antes de chegar aos postos de saúde e aos serviços privados de imunização, as vacinas passam por rigoroso processo de análise por agências regulatórias de todo o mundo, inclusive a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que atestam sua eficácia e segurança.

6. O bebê pode dormir de bruços

MITO. Segundo especialistas, a melhor posição é de barriga para cima, sem cobertor, almofadas ou brinquedos no berço. O risco de morte súbita cai em até 70%.

 7. Comer formiga faz bem para as vistas

MITO. A oftalmologista Klicia Molina  explica que não há origem comprovada, e tudo indica que isso foi inventado por diversas gerações para que não houvesse rejeição aos alimentos invadidos pelas formigas, como é o caso do açúcar. 

 8. Há mães que têm o leite “fraco”

 Mito.  Não existe leite fraco: ele se adapta de acordo com as necessidades do bebê. Ocorre que a alimentação da mãe reflete no leite.

 9. Pode beijar um bebê recém-nascido

MITO.  o beijo pode ser uma forma de contágio de doenças como gripe e resfriados, já que os micro-organismos se escondem nas gotículas de saliva.  Também não se deve dar beijos nas mãozinhas, porque o bebê pode colocá-las na boca.

 10.  Não há problema em consumir açúcar na infância 

MITO. O açúcar afeta o desenvolvimento da microbiota e aumenta o risco de obesidade e cáries. O ideal seria que a criança só tivesse contato com açúcar após 2 anos de idade.

 Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria e médicos consultados na reportagem

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