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CUIDADOS COM A SAÚDE

Médicos recomendam mais exames para quem teve covid

Metade dos pacientes continua com sequelas por mais de um ano

Breno Silveira: infarto após covid

Última atualização

Mais de dois anos após o início da pandemia de covid-19, o vírus tem mostrado que os sintomas estão longe de terminar após o quadro agudo da doença. Pesquisas já confirmam que metade dos pacientes continua com sequelas por mais de um ano e médicos recomendam mais exames em muitos casos.     

Um estudo da Fiocruz Minas avaliou os efeitos da doença ao longo de 14 meses em 646 pacientes que tiveram o novo coronavírus. Do total, 324 (50,2%) tiveram sintomas pós-infecção, caracterizando a chamada covid longa.

A pesquisa contabilizou 23 sintomas após o término da infecção aguda. Fadiga é a principal queixa, relatada por 35,6% dos pacientes. Também entre as sequelas mais mencionadas estão tosse persistente (34%), dificuldade para respirar (26,5%), perda do olfato ou paladar (20%) e dor de cabeça (17%). 

A pneumologista Cilea Martins ressaltou que a covid prolongada ou a covid tardia foi sendo observada desde o início da pandemia.

Ela revelou que quando esses pacientes buscam atendimento, ela recomenda exames como de avaliação da coagulação, para detectar microtrombose. “Em alguns casos, pedimos radiografia de tórax. Se o paciente teve como consequência uma pneumonia viral, após 90 dias a tomografia pode ser feita.” 

Em alguns casos, ela complementou a necessidade de um exame de sopro (espirometria) para observar a função do pulmão.

Por mês, o ortopedista Thanguy Friço atende cerca de 20 pacientes com sequelas pós-covid. Ele diz que a avaliação clínica é essencial, mas alguns exames são solicitados. “Um dos exames é o VHS (Velocidade de Hemossedimentação) e o PCR, que é a proteína C reativa. Esses exames apontam se há alguma inflamação”.

A cardiologista Kátia Vasconcellos ressaltou a indicação do Holter 24 horas em pacientes com queixa persistente de palpitações. “Recomendamos o ecocardiograma em pacientes com acometimento pulmonar, além daqueles com queixa de dispneia (falta de ar).”

Em casos de pacientes com covid mais grave, ela destacou a necessidade de ecocardiograma com strain, para avaliar disfunção do ventrículo esquerdo.

Impactos na saúde do coração

A morte do cineasta Breno Silveira, no último sábado, 14, vítima de um infarto fulminante durante a filmagem de uma cena do longa “Dona Vitória”, levantou a discussão sobre o impacto da covid-19 na saúde do coração. 

Breno tinha 58 anos, era hipertenso e havia se recuperado de uma infecção pelo novo coronavírus. As filmagens estavam sendo retomadas após um período de paralisação, em função do diagnóstico positivo do cineasta.

 













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A cardiologista Viviane Cordeiro Veiga, coordenadora da UTI da Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que a covid aumenta o risco de problemas cardiovasculares mesmo em pessoas sem condições prévias e que apresentaram quadros leves da doença.

“O que a gente sabe, e cada vez os estudos vêm demonstrando mais, é que a covid tem provocado inúmeras alterações cardiovasculares e cerebrovasculares. O que mais nos chama a atenção é um estudo publicado na Nature que mostrou que, mesmo pacientes que tiveram quadros leves e não tinham problemas cardiovasculares prévios, tiveram aumento do risco de complicações desse tipo”.

Uma análise dos registros de saúde de mais de 150 mil pessoas do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos mostrou que pessoas recuperadas da covid-19 tinham uma probabilidade 63% maior de ter um ataque cardíaco e 52% maior de ter um acidente vascular cerebral (AVC) do que pessoas que nunca contraíram a doença. 

Por isso, a cardiologista afirma que é importante que pacientes recuperados da doença mantenham a cardiovigilância. “Quem teve covid e já se recuperou, se começar a sentir dor no peito, palpitação, falta de ar ou sensação de desmaio, deve procurar o médico para fazer uma avaliação e um acompanhamento mais de perto”.


SAIBA MAIS


Pesquisa

  • Um estudo desenvolvido pela Fiocruz Minas avaliou os efeitos da covid-19 ao longo do tempo. 
  • Entre as constatações está que metade das pessoas que tiveram a doença apresentam sequelas que podem durar mais de um ano. 
  • A pesquisa acompanhou, por 14 meses, 646 pacientes que tiveram a infecção.
  • O estudo contabilizou 23 sintomas após a infecção aguda. 

Sintomas

  • 1 – Fadiga
  • 2 – Tosse
  • 3 – Dispneia (dificuldade de respirar)
  • 4 – Perda do olfato ou paladar
  • 5 – Dor de cabeça
  • 6 – Mialgia (dor muscular)
  • 7 – Dor no corpo
  • 8 – Olhos vermelhos
  • 9 – Insônia
  • 10 – Alteração na pressão arterial
  • 11 – Ansiedade
  • 12 – Diarreia
  • 13 – Dor nas articulações
  • 14 – Trombose
  • 15 – Dor no peito
  • 16 – Tonturas
  • 17 – Perda de mobilidade
  • 18 – Manchas vermelhas na pele
  • 19 – Muco na garganta ou no nariz
  • 20 – Coriza
  • 21 – Taquicardia
  • 22 – Perda de apetite
  • 23 – Dor de garganta

Fonte: Fiocruz.

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