Embora exista sinalização do governo de que o ensino médio seja o próximo a retornar com as aulas presenciais – após o ensino superior –, pais, alunos e escolas estão preocupados com a incerteza sobre essa volta, já que os estudantes estão na reta final para os vestibulares.

“Confesso que não consigo me adaptar ao ensino EAD (a distância)”, comentou Giulia.
Sua mãe, a médica Cleanice Ramalho do Valle, 54, também está preocupada com a falta de aula presencial, mas, ao mesmo tempo, apreensiva com o retorno, devido à pandemia de Covid-19.
O vice-presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espírito Santo (Sinepe), Eduardo Costa Gomes, diz que não faz sentido pensar na liberação do ensino superior, deixando de lado o ensino médio, já que considera que é a etapa mais importante de formação.

“Enquanto isso não acontece, é importante que o ensino remoto, especialmente na rede pública, seja oferecido de forma que todos os alunos tenham acesso”.
A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado (Sindiupes), Noêmia Simonassi, diz que não há segurança para retomada das atividades presenciais, mas se preocupa com os alunos que farão o Enem. “O exame deveria ser adiado de novo”, disse.
Organizado pelo Sindiupes, professores, pais e alunos participaram ontem de uma carreata em Vitória contra o retorno das aulas presenciais.
Escolas fazem acordo com pais
Enquanto as aulas seguem suspensas, o Ministério Público do Estado e o Instituto Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-ES) têm firmado termo de ajustamento de conduta (TAC) com instituições de ensino da rede privada para ajustar a relação na prestação de serviço durante o período de pandemia.
Um dos avanços é que escolas e pais têm feito acordo para estabelecer a redução no valor da mensalidade em até 30%, por exemplo.
A finalidade é adequar as práticas comerciais e cláusulas contratuais da prestação de serviços educacionais relativos à educação infantil, ensino fundamental e ensino médio nesse período.
O acordo também apresenta critérios pedagógicos que precisarão ser cumpridos pelas instituições.
A promotora de Justiça Sandra Lengruber, da Promotoria Regional do Consumidor, disse que, até o momento, oito unidades do Centro de Ensino Charles Darwin assinaram o documento de forma colaborativa e harmônica e reduziram a mensalidade em até 30%.
O Darwin informou que o TAC é fruto de meses de negociações e de uma construção de soluções sustentáveis.
Outras 20 instituições estão sendo acompanhadas e algumas já apresentaram planilhas com as despesas. O material está sob análise do Ministério Público Estadual.
Lengruber recebeu denúncias de pais dizendo que há escolas que não concederam nenhum abatimento, o que está sendo apurado.
