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“Melhor presente é a minha cura”, diz advogada na reta final de tratamento

Luana Petry descobriu um câncer de mama uma semana depois de ter gerado sua única filha

Luana Petry com Malu: amor à filha fez com que a advogada lutasse ainda mais pela vida e vencesse o câncer

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Os últimos dias de 2022 estão encerrando um período delicado para a advogada e professora Luana Petry, 35 anos. Em 2020, uma semana depois de ter dado à luz sua única filha, Malu, 2, ela descobriu um câncer de mama. A última quimioterapia oral do tratamento será  sexta-feira e, mais do que ninguém, Luana inicia uma nova vida.

A desconfiança de que poderia ter a doença foi aos sete meses de gestação. Como a gravidez causa inúmeras mudanças no corpo da mulher, a possibilidade foi descartada inicialmente. 

No dia do parto, contudo, uma mastologista desconfiou e pediu exames. A confirmação chegou. Naquele momento, a advogada vivia o sonho da maternidade e o pesadelo do diagnóstico, ao mesmo tempo.

A força para seguir em frente, realizar 18 sessões de quimioterapia e 15 de radioterapia para, logo depois, descobrir que a mama esquerda também tinha células cancerígenas e, assim, recomeçar o tratamento, tem um nome: Malu.

Em entrevista ao jornal A Tribuna, Luana Petry abriu o coração, com intuito de inspirar outras mulheres,  e conta como a maternidade construiu a força para combater a doença e, logo em seguida, se reconstruir, com novos hábitos de vida.

A Tribuna:  Você havia acabado de iniciar um momento idealizado por muitas mulheres: a maternidade. O que pensou no momento do diagnóstico?

Luana Petry:  Questionei o que fiz de errado. Fiquei três meses sem contar para ninguém, até entender o que estava acontecendo comigo. Precisava processar a informação. Eu achava que iria morrer. Ao mesmo tempo, eu pensava que precisava me tratar porque tenho uma pessoa que depende totalmente de mim. 

Como você se fortaleceu para enfrentar o tratamento?

Minha filha me deu  força, mas é muito difícil. Eu não sou aquela pessoa que embeleza a situação. Ao olhar para a Malu, eu dizia: “vou conseguir!”. Eu passei a ter certeza de que tudo daria certo. Tive uma corrente de apoio muito forte. Meu pai, minha mãe, minha filha, minha sogra, meu cunhado e minhas amigas me ajudaram a enfrentar o momento.

E em casa, como foi a reação dos parentes? 

Eu nem conto meu marido (Maycon) como rede de apoio. Ele viveu o câncer comigo, me viu chorar, enxugou minhas lágrimas, acordava às madrugadas para cuidar da Malu e era meu lugar de conforto. Ele passou por tudo comigo. É muito mais intenso.

Como foi viver a maternidade naquele momento?

Eu entendi que deveria me cuidar e isso não significaria que eu estava deixando de ser mãe. Eu me cuidei para ser mãe por mais tempo. Minha relação com Malu é tão forte que a primeira palavra dela foi “mãe”. 

Tentei deixar tudo mais leve para ela, mas, até hoje, ao me ver tirando sangue, ela chora. Ela é a minha força.

Agora, com o fim do tratamento, qual é o seu presente para 2023?

A cura é o presente que pedi a Deus durante dois anos. Pela primeira vez em mais de dois anos, terei uma virada de ano sem quimioterapia.  

 Sou uma “nova Luana”! Mais leve, menos estressada.  Quero continuar desse jeito: levando a vida mais leve, e tendo mais tempo para o que realmente importa, para mim e para a minha família. O melhor presente, com toda certeza, é a minha cura.

Diagnóstico precoce facilita tratamento e recuperação

Por ser o mais comum entre as mulheres, o câncer de mama provoca medo. Médicos são unânimes, no entanto, ao alertar sobre a doença: o diagnóstico precoce pode salvar vidas.

A oncologista do Núcleo Especializado em Oncologia (Neon) Edelweiss Soares conta que, até hoje, recebe pacientes com vergonha de ter câncer de mama.

“Não devemos ter medo da doença. Temos de diagnosticar e tratar. Ainda hoje, há mulheres com vergonha de ter câncer de mama. A doença é silenciosa, pode atingir a todas e, com o diagnóstico precoce, a possibilidade de cura cresce consideravelmente. É preciso combater assim que se descobre o diagnóstico”.

Já o oncologista da Rede Meridional Fernando Zamprogno destaca o papel de manter um estilo de vida saudável como importante forma de prevenir a doença. 

“É preciso evitar alimentos ultraprocessados, o tabagismo e o sedentarismo. O certo é aliar boa alimentação, atividade física regular, exames de rotina em dia e outros bons hábitos de vida”.

O  cirurgião oncológico e cancerologista da Unimed Vitória Guilherme Miguez destaca que, em mulheres com histórico familiar de câncer de mama precoce, os exames de mamografia e de ultrassom da mama podem começar entre 30 e 35 anos.

SAIBA MAIS

Prevenção

> Como medidas que podem contribuir para a prevenção  da doença estão: praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, evitar o tabagismo  e adotar uma alimentação mais saudável.

Sinais

> São sinais do Câncer de mama: qualquer nódulo em mulheres com mais de 50 anos, nódulos persistentes por mais de um ciclo menstrual em mulheres com mais de 30 anos, nódulo endurecido ou fixo, secreção sanguinolenta pelo mamilo e lesões na aréola ou no mamilo. 

Diagnóstico

> É indicado que se faça a ultrassonografia das mamas e a mamografia a partir dos 40 anos. 

> Em casos de mulheres com histórico familiar de câncer de mama precoce, é recomendado iniciar os exames entre 30 e 35 anos. 

> A biópsia é o exame que dá o diagnóstico da doença. 

Tratamento

> Há diversas opções de tratamento e o médico irá discutir com a paciente quais são os mais adequados em casa situação. Todo o tratamento é disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

> A diversos tipos de câncer de mama e, por isso, a recuperação depende de cada situação. 

Fonte: Inca, Fiocruz e especialistas consultados.

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