Por poucos centímetros, uma família de Ilha das Flores, em Vila Velha, estaria lamentando a perda de uma menina de 8 anos. No último domingo (12), ela teve o pescoço cortado por uma linha de cerol, enquanto andava de bicicleta na pracinha do bairro. Segundo os médicos, ela sobreviveu por um milagre, já que o corte, por pouco, não atingiu a veia aorta.
A menina estava na pracinha com os avós e a mãe, a dona de casa Kaliana de Jesus Oliveira, onde andava de bicicleta. Por volta das 14 horas, um primo da criança a viu caída e se debatendo no chão, foi quando eles perceberam que ela havia se ferido.
De acordo com o avô, o açogueiro Vanildo Jesus Oliveira, um jovem de 20 anos esticou uma linha, na calçada do Cras do bairro, para passar o cerol (uma mistura de cola e pó de vidro). A menina não viu a linha e acabou tendo o pescoço cortado.
“Na hora nós não entendemos nada. Nos aproximamos dela e vimos um talho enorme no pescoço. Ficamos desesperados e corremos com ela, primeiro para o PA da Glória. Os médicos viram que era um caso sério e nos transferiram para o Hospital Infantil em Vitória”, relembrou.
O avô disse ainda que o diagnóstico dos médicos deixou a família ainda mais tensa. “Nós achávamos que não precisava dar ponto. Mas, os médicos do Infantil nos falaram: ‘Por pouco que vocês não perdem a neta. Faltou metade de um dedo para atingir a aorta’. Foi um milagre o que aconteceu com ela”, contou.
A menina passou por um procedimento e recebeu 16 pontos no pescoço, ficando internada no hospital por dois dias. “Ela colocou muito sangue para fora, pelo nariz, ouvido e boca”, disse o avô.
Na hora do acidente, o jovem dono da linha com cerol fugiu do local e não contou com a família. No dia seguinte, a família do jovem foi acionada e ele confessou que era dono da linha. Segundo Vanildo, o jovem pediu desculpas pelo fato, ajudou a comprar os remédios para a menina e chegou a visitar a família, pessoalmente, depois que a menina recebeu alta.
“Na hora passa um monte de coisas na cabeça, medo de perder a filha. Você fica sem saber o que fazer. Mas, graças a Deus, deu tudo certo. E o menino veio e pediu desculpas, prestou toda a asssistência, comprou os remédios… Nós não queremos prejudicar ele. A conversa já foi o suficiente”, disse a mãe Kaliana. “Ela já está brincando, subindo escada e comendo muito bem”, conta o avô.
A Polícia Civil abriu um inquérito e acompanha o caso. A família, no entanto, já deixou claro que não quer prosseguir com a denúncia. “Este negócio de pipa tem que acabar. Quer continuar? Coloca em um local separado, sem colocar a vida de ninguém em risco”, disse a mãe.
