
A façanha aconteceu na última quarta-feira (13). O desafio foi lançado pela mãe e Davi só parou para beber água.
“Já tinha um tempo que ele me pediu para montar a Estátua da Liberdade, mas eu fiquei com receio de comprar porque são 1.685 peças e geralmente é o tipo de réplica montada por colecionadores. Mas depois eu pensei: se ele não conseguir, vai ser uma experiência. Se conseguir, vai ser mais um desafio vencido. E ele superou minhas expectativas mais uma vez, fiquei muito orgulhosa”, contou a gerente comercial Raphaella de Oliveira, 33 anos.
De acordo com ela, Davi pode ser a primeira criança nessa idade a montar a réplica. “Entrei em contato com a Lego e me informaram que, até o momento, não tem registro de que outra criança dessa idade montou essa escultura”, afirmou.
Antes de chegar a esse nível, o estudante já havia feito outras montagens de Lego como uma arara, um papagaio, um sorvete e até a réplica da casa da avó.
O foco e a concentração são características que a Raphaella observou desde quando Davi era bem novinho. “Desde pequeno ele sempre foi rápido para montar as coisas. No aniversário de 3 anos ele ganhou um quebra-cabeça recomendado para maiores de 6 anos e ele montou em 20 minutos. Eu levei até um susto”, brincou.
Moradores de André Carloni, na Serra, os dois já participaram de um programa de TV matinal da Rede Globo e contaram suas histórias de superação em rede nacional. “Eu mandei ele ir sozinho até a farmácia, que fica do outro lado da rua, e fiquei vigiando. Quando ele saiu, falou: ‘mãe, eu consegui”. Eu registrei tudo e postei nas redes sociais. Viralizou e nós fomos convidados para poarticipar do programa da Fátima Bernardes”, disse.
Para a gerente comercial, o autismo não é um fator limitador. Além de incentivar as habilidades do filho, ela o ensina a ser indenpendente. “Infelizmente o preconceito existe e é muito. Quando você fala que seu filho tem alguma síndrome, as pessoas acham que ele é incapaz, que não tem capacidade de desenvolver. Eu trato ele o mais normal possível para que ele seja independente”.
Ativa nas redes sociais, Raphaella criou a #autismonaoeofim, que também virou escultura de Lego nas mãos do Davi.
“Eu trabalho até 13 horas e depois fico por conta das atividades dele. Ele faz terapia ocupacional, Jiu-Jitsu, aula de habilidades, fono e acompanhamento psicológico. Uma vez, uma pessoa falou para mim que eu não tinha vida, que deve ser ruim ter um filho autista. Eu disse para essa pessoa que autismo não é o fim e que se você ensinar, você prepara a criança para ser independente. Eu mandei até fazer uma camisa para a gente com essa frase e ela acabou pegando”, explicou.
