No lugar das risadas, conversas e brincadeiras de crianças, hoje a casa da autônoma Ingrid de Matos Rossi, 31, é só o silêncio. Na última sexta-feira, o caçula dos três filhos dela, Antônio Rossi Simões, 2 anos, morreu após 11 dias internado por causa de uma pneumonia.
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Para a família, houve falhas no atendimento no Hospital Infantil de Vila Velha (Himaba), o que levou o quadro do pequeno Antônio a se agravar.
Segundo Ingrid, o filho começou a apresentar sintomas gripais e, no dia 11 de maio, foi atendido no Pronto Atendimento (PA) de Riviera da Barra, Vila Velha, quando foi constatada a pneumonia. “Ele ficou um tempo no oxigênio e depois liberaram ele para tomar a medicação em casa.”
A mãe revelou que ele chegou a melhorar um pouco, mas na madrugada do dia 17 teve uma piora, com febre e respiração cansada. “Fomos para o PA da Glória e a saturação já estava mais baixa. Encaminharam para internação para continuar a medicação”.
Ingrid contou que quando chegou ao Himaba, a médica passou os exames e pediu que continuasse com o antibiótico que já estava tomando e com a máscara de oxigênio.
“No outro dia, uma outra médica que passou já retirou a medicação dele e reduziu o oxigênio. Pensei que ele estava melhor e fui para casa para cuidar da minha outra filha, que também tinha febre. Enquanto isso, meu marido ficou acompanhando”.
A autônoma relatou que durante a segunda noite o quadro piorou muito, com febre e o filho ainda mais cansado. “Fizeram compressa a noite toda. O médico do dia seguinte voltou com o antibiótico. Meu filho ficou na sala de isolamento, com médico passando uma vez por dia. Cada plantão, o médico mudava medicação, não explicavam muito o quadro”.
Depois de alguns dias, de acordo com a autônoma, o filho foi ficando cada vez mais fraco, chegando a vomitar e evacuar sangue. “Ele foi para enfermaria, tomando dipirona de hora em hora. Eu falava que precisava de sonda para alimentação, de medicação para o estômago, pois ele estava fraco. Mas não atendiam. O ultrassom quem passou foi a médica de outro setor”.
A mãe relatou que o quadro se agravou tanto que chegou um momento que ele teve de ir para a ventilação mecânica e não aguentava mais a transferência para a UTI. “A médica sentou com a gente pela primeira vez para explicar a gravidade do quadro. Por que deixaram chegar a isso para tentar transferir? Na última sexta-feira, ele não aguentou mais”.
Para Ingrid, ainda dói lembrar de como foi contar para os outros filhos, de 5 e 11 anos, da morte do caçula, que era só alegria. “Sou muito apegada a Deus e entenderia se ele tivesse sido bem tratado até o fim. Mas minha sensação era de impotência, pois a imagem que tenho dele no hospital é machucado e magrinho”.