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Há um ano e meio, a gastrônoma e empresária Karla Brandão, de 50 anos, comemorava a sua alta hospitalar depois de ficar 60 dias internada na UTI lutando contra a covid-19. Desses, 30 dias em coma.
Só que a sensação de alívio não durou muito tempo. Apesar de curada, ela teve sequelas que fazem parte da sua rotina até hoje. Além disso, após poucos meses de alta, ela foi obrigada a se despedir do pai, José Carlos Brandão que, aos 76 anos, perdeu a batalha para a doença.
A Tribuna – Quais foram as sequelas que a covid deixou?
Karla Brandão – São muitas, entre elas a motora, consequência dos fortes medicamentos utilizados no hospital para combater a doença. A função motora melhorou, mas não sinto a coxa. Fiz fisioterapia. A covid também deixou sequelas neurológicas. Sou muito esquecida e tomo remédios todos os dias. Além disso, o meu sangue não afina, tomo remédio para diminuir os riscos de trombose. Faço tratamento no Hemoes.
Foi submetida a muitos exames pós-covid?
Sim. Fiz e continuo fazendo vários exames de sangue. Também fiz exames cardiológicos, mas graças a Deus não tive comprometimento cardíaco e renal.
Há 40 dias fiz uma bariátrica. Na covid, perdi peso, mas depois engordei o dobro, pois fiquei inchada de tanto corticoide. Com a covid também fiquei pré-diabética e com pressão alta.
Após receber alta, perdeu o seu pai para a doença?
Meu pai não tinha comorbidades. Ele caminhava todos os dias, fazia academia, tinha uma vida ativa. Ele ficou 10 dias no quarto e 10 dias na UTI. Ele era tudo pra mim e mais um pouco.
Ele pegou covid e ficou 10 dias em casa, nem parecia doente. No 10º dia ele foi levar a mamãe no hospital, que também estava com covid. Quando ele chegou lá, falou que estava com o vírus. A mamãe foi direto para a UTI, com 75% do pulmão comprometido.
Meu pai estava com 20% de comprometimento pulmonar e ficou internado, pois a glicose subiu. Acabou que ele morreu após uma parada cardíaca. A minha mãe sobreviveu.
Lembra a última conversa que teve com o seu pai?
Quando ele foi para a UTI eu disse: ‘Vai com Deus’. Eu falei para ele ir em paz, pois estava indo para voltar melhor. Ele pediu para não deixá-lo morrer, mas essa doença é cruel. Meu pai perdeu a batalha para esse vírus e eu fiquei com sequelas.