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Ministério Público investiga irregularidades em loja que pegou fogo

O Ministério Público do Espírito Santo instaurou um procedimento para apurar as possíveis irregularidades na loja incendiada da Vila Rubim, em ...

Imagem registrada por drone

Última atualização

Imagem registrada por drone (Foto: Divulgação / Corpo de Bombeiros)

O Ministério Público do Espírito Santo instaurou um procedimento para apurar as possíveis irregularidades na loja incendiada da Vila Rubim, em Vitória. O incêndio de grandes proporções destruiu a loja e uma casa, além de danificar outros sete imóveis, deixando 70 pessoas desalojadas.

O fogo teve início na última sexta-feira em uma edificação construída de forma irregular nos fundos da loja Alves Couros e Decorações. O local armazenava produtos inflamáveis, como espuma, cola, tíner e couro. A obra chegou a ser embargada em 2016 pela Prefeitura de Vitória, que aplicou 56 multas (R$ 130 mil) ao proprietário.

Além disso, o estabelecimento comercial não tinha alvará da prefeitura e nem do Corpo de Bombeiros. O documento é obrigatório para comprovar que o local possui todos os requisitos básicos de segurança, assim como equipamentos para controlar o fogo.

A edificação onde o incêndio teve início começou a ser construída em 2016, sem autorização da prefeitura. Por conta disso, fiscais do município embargaram a construção, que continuou acontecendo com portões fechados, o que gerou as multas. O proprietário recorreu das autuações até concluir a obra: um subsolo e dois pavimentos. Por conta desses recursos – 22 ainda em andamento –, a lei não permitiu a ação demolitória.

Depois de pronto, o prédio ilegal ainda foi ligado à loja de forma irregular. “Houve um flagrante desrespeito, uma má-fé. Só descobrimos isso após o incêndio”, afirmou o subsecretário de Controles Urbanos, Otto Grellert.

Como mostrou a reportagem de A Tribuna na edição de ontem, uma vistoria na loja poderia ter evitado o incêndio, mas os fiscais não dão conta de fiscalizar todos as lojas da capital, de acordo com Grellert.

Além disso, a fiscalização não atuou porque a loja (que oficialmente não compreende a edificação ilegal), era licenciada, embora com documento vencido desde o fim de 2017.

Outro lado

O dono da loja, Moisés Alves, nega as irregularidades. “A empresa não recebeu esses autos”, disse.

Perícia conta com drone

Imagem de Drone mostra a loja destruída e outros imóveis que foram atingidos pelo incêndio, na Vila Rubim (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros )

A perícia do Corpo de Bombeiros para esclarecer as causas do incêndio teve início ontem. A investigação vai contar com o mesmo sistema utilizado para elucidar o caso dos irmãos Joaquim e Kauã, mortos em um incêndio na própria casa, em Linhares, no ano passado. Um drone também está sendo utilizado para captar imagens.

“A investigação vai mostrar a origem do incêndio, a causa e o comportamento do fogo, além da análise de todos os danos. Estamos analisando os escombros, vistoriando cada ponto, coletando evidências e analisando as imagens”, afirmou o tenente-coronel Scharlyston Paiva.

O chamado simulador computacional – utilizado no crime em Linhares – é um programa que simula o incêndio através de informações fornecidas pela equipe de investigação do Corpo de Bombeiros.

“Ele é fundamental. A investigação é toda realizada com base em metodologia científica, descartando as hipóteses e indicando a causa mais provável e o ponto exato do incêndio. O sistema trabalha com uma série de informações, como tamanho da área, a metragem, fotos e vídeos”, explicou Paiva.

A investigação do Corpo de Bombeiros deve durar 30 dias. No entanto, caso a apuração se torne complexa, a corporação pode levar mais tempo, segundo Paiva.
 

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